COMO SOMOS VISTOS LÁ FORA ...
Uma reportagem, interessante sob todos os pontos de vista, foi publicada no diário ABC Digital, de Assunción, Paraguai em 03/08/10. Sob o título “Farão uma promoção forte da maquila” noticia com os comentários pertinentes sobre a próxima realização do Foro Brasil.
Mas vejamos a tradução (livre) da notícia publicada:
O regime de maquila paraguaia será fortemente promovido durante a 3ª Feira de Comércio e Indústria, organizada pelo Foro Brasil, como declarou seu titular João Paulo Pacheco. A declaração aconteceu durante o lançamento do evento que irá realizar-se de 1 a 3 de setembro.
Pacheco declarou que o empresário brasileiro ainda não descobriu as vantagens que oferece o regime de maquila paraguaio, infelizmente, porque poderá ser uma “arma poderosa” para o pequeno e médio empresário brasileiro, já que a carga tributária no Brasil é muito grande e a maquila oferece a possibilidade de uma carga tributária pequena no Paraguai, sem afetar nada no Brasil.
Disse que por esta razão, este ano as rodadas de negócios serão “sensacionais”, tendo se em conta que estarão participando cerca de 120 empresários brasileiros com os seus parceiros paraguaios. Assim é, que o escritório da Fecomi em Curitiba está trazendo cerca de 20 empresários, incluindo o presidente da Associação dos Supermercados do Estado do Paraná.
Se o Paraguai quer crescer, terá de se concentrar inicialmente em dois estados brasileiros: Mato Grosso e Paraná, com os quais os industriais paraguaios “vão fazer uma festa do lado brasileiro”, ressaltou.
“Câncer” do comércio
Ao ouvir que os grêmios industriais paraguaios se queixam das tristemente conhecidas travas ao comércio, que são um incentivo para desestimular em muito o ingresso no mercado vizinho, Pacheco contestou: “O problema de travas é o problema da burocracia do governo, é um câncer para qualquer empresário. O presidente Lula, cada vez que vem para cá, dá a ordem para que empresário brasileiro invista no Paraguai e as empresas paraguaias devem exportar para o Brasil” afirmou.
Menos poder do que a Receita Federal?
Sobre estes pontos, acrescentou é justamente onde o Foro Brasil mais trabalha; sem dúvida, porque o Brasil é “tão grande, que chega ao ponto de o Presidente (da República) não mandar em nada e aí se começa a depender, por exempo da Receita Federal”. Não obstante, apontou, se a empresa local faz as coisas “bem direitinho”, não haverá travas. “Por exemplo, a Chortitzer exporta lácteos para o Brasil, porque cumpre as regras. Agora, contrariamente ao que acontece no Paraguai, o Brasil é um paquiderme, e tudo o que ele vai fazer demora bastante,” comentou.
Bem, aqui termina a reportagem.
Não se tratava de um evento qualquer. Na fotografia que acompanha a reportagem podemos ver o embaixador do Brasil no Paraguai, senhor Eduardo dos Santos, entre Luiz Rolim de Moura do Sebrae, e coordenadores da Fecomi, senhores João Paulo Pacheco e Manuel Benitez Codas.
O interessante no caso, é que não há nenhuma menção na mídia impressa, televisiva ou nos órgãos de classe no Brasil, sobre este evento no Paraguai e muito menos, sobre as vantagens que serão apresentadas às pequenas e médias empresas e discutidas no decorrer do evento. Sob o ponto de vista político isto é plenamente compreensível. Qual é o político que vai endossar a mudança das empresas, embora parcial, para Paraguai? Haja vista a reação dos leitores do jornal Comércio da Franca às duas colunas – Brasil Está AvançandO! leia aqui e Indúsrias de Calçado Brasileiras – Multinacionais? leia aqui - já publicadas sobre o assunto.
Que o assunto é pertinente, isso demonstra até o estudo da FIESP, baseado nos interesses da indústria de confecções. Mas, pergunto eu: qual é a diferença entre a indústria de confecções e a indústria de calçados? Nenhuma. As duas estão baseadas em tecnologia relativamente simples e uma mão-de-obra intensiva e fácil de ser treinada.
Esta coluna e este colunista não fazem mais do que cumprir o dever de informar e alertar sobre o ambiente de negócios e o desenvolvimento da situação no contexto global de negócios. Ou seja, os aspectos vitais, que irão influenciar a vida ou a sobrevivência das empresas a curto ou médio prazo. Agora, a decisão que o empresário irá tomar com base nestas informações é só dele. Mas, pelo menos não pode alegar ter ignorado o rumo da evolução.
Zdenek Pracuch