BRASIL ESTÁ AVANÇANDO !
Antigamente a palavra “maquilladoras” era usada em espanhol para identificar as fábricas mexicanas, que devido à mão-de-obra muito barata, se incumbiam de trabalhar para as empresas norte-americanas por fração dos custos que estas deveriam pagar, caso estivessem produzindo no território norte-americano.
Qual não foi a minha surpresa, quando meu correspondente paraguaio me sondou sobre a possibilidade de a indústria de calçados brasileira se interessar em trabalhar no Paraguai, no primeiro estágio na confecção de cabedais com modalidade de operação de “maquillar”.
E justificou a sua oferta com fatos irrespondíveis. Hoje já existem 120 indústrias brasileiras que trabalham neste sistema, em vários ramos industriais, inclusive de calçados, havendo uma indústria de calçados de segurança, que produz 20.000 pares de cabedais por mês. No total há mais de 400 pedidos nos ministérios paraguaios competentes para registrar esta operação por firmas brasileiras no território paraguaio.
Com todas as questões de logística e burocracia, que na parte paraguaia está simplificada ao máximo, a produção está muito mais barata do que se fosse feita no Brasil, principalmente devido a uma tributação, principalmente no tocante às obrigações trabalhistas, muito mais moderna e condizente com economia do terceiro milênio, se comparada com a do Brasil. No Paraguai, sim senhores, quando no Brasil já está lançado o programa de 40 (!) horas semanais de trabalho pelo mesmo salário das 46 horas atuais.
O argumento é que na França este regime já vigora. Só que os defensores não dizem que é só na França; que as firmas francesas não estão absolutamente competitivas e que o miseré econômico só não é maior devido a agricultura francesa, onde ninguém fala em 36 horas de trabalho, como são hoje as horas de trabalho na indústria. Quando foi criado este horário, o argumento foi o combate ao desemprego. O novo horário foi introduzido e o desemprego aumentou, porque muitas empresas saíram do mercado por se tornarem não competitivas.
Faz alguns anos que a moda entre as empresas francanas foi mudar-se para o Nordeste ou Norte do Brasil. Basta uma simples olhada no mapa para verificar, a enorme diferença de distâncias entre o Nordeste e o Paraguai a partir de São Paulo. Em todas as fábricas há na parede um enorme mapa do Brasil. Confiram. Sem falar no atrativo para as esposas dos executivos, para fazer suas compras em Assunción ou Ciudad del Este!
Agora o Brasil pode dar uma de Estados Unidos capitalista e tornar-se exploradora de mão-de-obra barata no Paraguai! Que prato cheio para a campanha do PT! A verdade é que com ideologia sim ou não, já 120 empresários brasileiros optaram pela competitividade e outros mais de 400 estão na fila nas repartições paraguaias para seguir exemplo e regularizar a operação.
Os mesmos problemas de logística, de controle de qualidade e tantos outros que as empresas enfrentaram no Nordeste surgirão novamente. Só que o custo e tempo gasto será infinitamente menor. E no terceiro milênio, quando estamos competindo em escala global, o custo deveria ser escrito com letras maiúsculas.
Será que não está aqui a solução para a carência de mão-de-obra que está sendo sentida e comentada em Franca, Nova Serrana e Birigüí? Será que entre os 400 empresários na fila de regularização não estão alguns que empregam bolivianos em condições sub-humanas no Bom Retiro em São Paulo, quando poderiam internacionalizar o negócio deles, legalmente, pagando os mesmos salários que agora pagam na clandestinidade?
De qualquer modo, parabéns para o Brasil, que está entrando no primeiro mundo capitalista e desta vez não é a bazofia da propaganda oficial. Novamente é a iniciativa privada que, apesar de tudo, segue em frente.
Zdenek Pracuch