COEFICIENTE DE DESPERDÍCIO NO CÁLCULO
DE CONSUMO PARA CORTE.
Parte I

O combate aos desperdícios numa fábrica de calçados deve começar pela seção do corte, onde se manipulam valores que fácilmente ultrapassam a metade do preço de venda do produto.

Vejamos: numa fábrica que produz 1.000 pares de calçado masculino por dia e compra a vaqueta à R$ 35,00 (barata, hein?) no fim do ano, com 1% (um por cento) de desperdício a mais por par, representa um prejuízo de R$ 15.400,00 !!!

O cálculo é o seguinte:

220.000 pares / 5 pares por metro2 = 44.000 metros2 pele

44.000 m2 x R$ 35,00/m2 = R$ 1.540.000,00

1 % de R$ 1.540.000,00 = R$ 15.400,00

E se forem 5%, ou mais? Encontrei uma fábrica onde o foram 22% !!! Por sorte, trabalhava com camurção, bem mais barato, mas mesmo assim ....

Existem vários métodos de estabelecimento de valores de área de material no calçado para definir o material a ser gasto: Eletrônicos como SATRA, Torielli-Shoemaster, Naxos, Lectra, San Crispino etc. ou manuais como Sistema Decimal-métrico (SENAI)
ou paralelograma, este considerado o mais preciso.

Qualquer um destes sistemas calcula o valor líquido do tamanho das peças a serem cortadas. O problema começa no momento de definir o coeficiente de desperdício, ou seja o que deve ser concedido a mais ao cortador para cortar a grade da produção. Neste ponto o paralelograma leva grande vantagem sobre todos os outros sistemas, pelas razões que não cabe explicar neste artigo, embora de todos os sistemas é o mais trabalhoso. Mas quanto vale o tempo do desenhista em comparação com a economia que pode proporcionar pela precisão do cálculo? Vimos acima que só 1 % economizado pode pagar dois calculistas!

Como definir o coeficiente de desperdício no cálculo de consumo, para entregar aos cortadores o material na quantidade certa e assim controlar o desempenho de cada um?

Ao valor líquido de cada peça calculada, acrescentaremos o coeficiente de desperdício que é condicionado por vários fatores:

A – tipo de material (couro, laminado, placas de borracha ou resinadas etc.);

B - no caso do couro, pelo tamanho das peles;

C – pelo tipo de couro – flor integral, corrigida, verniz, camurção, raspa etc.;

D – pela classificação do couro e número de defeitos;

E – pela procedência – curtumes tem diversos padrões de qualidade;

F – pelo tamanho das peças de modelo – sandália é diferente de bota alta;

G – no caso dos laminados ou de têxtil, pela largura dos rolos de material (quanto mais estreito for o rolo, menor será o número de peças cortadas antes de atingir a margem);

H – pela experiência de cortadores;

I - pela pressão exercida sobre os cortadores para atingir determinada produção em detrimento da economia e qualidade, e outros fatores, dadas as particularidades de cada indústria.

Como estabelecer o coeficiente de desperdício?

(continua na Parte II)

Observação: Este material faz parte da apostilha do meu CURSO DE CÁLCULO DE CONSUMO DE MATERIAIS ministrado individualmente ou em cursos públicos.

Zdenek Pracuch