COMÉRCIO VIRTUAL
As mudanças que estão ocorrendo com velocidade espantosa em todos os setores de atividades econômicas estão se tornando cada vez mais difíceis de seguir, de analisar, de interpretar e por fim de adaptar e adotar. As mudanças que estão ocorrendo, principalmente no setor de comercialização de produtos de consumo, são da ordem de assustar. Quantas novidades, quantos métodos novos, quantas estratégias e métodos de planejamento e de cobrança e controle de resultados!
Comentando com um amigo o avanço do comércio virtual, eletrônico, ou seja, compras e transações via internet, fiquei surpreso quando este comentou com a maior naturalidade que, realmente isso funciona muito bem, porque ele comprou 3 pares de tênis, pagou com cartão e recebeu a mercadoria em 4 dias. Nunca mais vou pisar numa loja de calçados! – foi o comentário dele – para ser mal atendido, ter que calçar o calçado por mim mesmo, enfiar o atacador – muito obrigado! – para isso posso ficar em casa!
Uso internet para comprar livros. Nunca comprei calçado e acho que nem vou comprar, porque geralmente ganho calçado para servir de cobaia para testar e opinar sobre novos materiais, diferentes tipos de construção e comentários em geral. Mas com base naquilo o que estamos vendo nos Estados Unidos, Europa e Japão e, olhem que estes paises têm excelentes redes de lojas de varejo, a compra pela internet está numa expansão de dois dígitos por ano. A maior provedora dos Estados Unidos que vende somente calçados a Zappos vendeu no ano passado 8 bilhões de dólares de calçados! Oito vezes mais do que toda exportação de couros e de calçados do Brasil!
No fim do ano passado foi adquirida pela não menos imponente Amazon, mas houve a garantia da completa separação dos negócios. Além da Zappos existem várias outras organizações de venda de calçados, menores, mas com a mesma tradição da seriedade e confiança.
Nos Estados Unidos, um pouco menos na Europa, existem áreas de poucos habitantes, principalmente fazendeiros que se abastecem nas lojas dos lugarejos mais próximos com produtos de primeira necessidade. Para artigos mais sofisticados tinham que viajar as vezes por longas distâncias. Vendas por catálogos era a solução. A Sears Roebuck, que hoje praticamente desapareceu, foi a grande vedete deste comércio.
Me lembro, que uma vez cruzando a fronteira do Canadá para Estados Unidos, o immigration officer me perguntou onde vou ficar. Disse a ele que em Minnetonka, quase que gozando, certo que ele não sabia onde ficava. O que o senhor vai fazer lá? Respondi que tem lá uma firma chamada Fingerhut Corp. e que temos negócios com ela. Para minha grande surpresa respondeu: "They are really fine people, eu compro muita coisa do catálogo deles!"
Isso foi há uns vinte anos atrás. Catálogo caiu em desuso e passamos para comércio virtual. Ainda pouco divulgado no Brasil, mas com um potencial enorme. Pensem na multidão de funcionários públicos, militares, fazendeiros e todas as pessoas com bom poder aquisitivo vivendo nos rincões esquecidos do Brasil e que também querem comprar coisas bonitas, artigos da moda e não têm a mínima possibilidade de adquirir estes bens nas localidades perdidas no mapa do Brasil!
Mas o Correio os alcança, Bradesco alardeia que hoje está presente em todos os municípios brasileiros, questões de logística e de pagamento e recebimento já tem uma solução pronta e as comunicações, via internet, que podem gerar todo este novo potencial de vendas já estão aqui para uso geral.
É natural, que também este tipo de comercialização deve ser bem avaliado e programado. Como vão reagir os clientes tradicionais? Vendo a mercadoria que eles remarcam em até 120%, como ultimamente tem acontecido, já que os tradicionais 100% de marcação não bastam, está sendo vendida por substancialmente menos? Há soluções simples como, por exemplo, uma linha de modelos de calçados destinados somente para este comércio, que pode ser linha de produtos de coleções passadas, que serão novidade recentíssima para um comprador do Amapá ou Rondônia, e não precisamos ficar com consciência pesada vendendo artigo fora da linha atual. O produto será feito com todo o carinho e tecnologia atualizada, como se fosse a coleção mais recente.
O futuro é implacável. Não há como fugir dele, mas devemos tomar todas as precauções para não sermos atropelados por ele.
Zdenek Pracuch