UMIDADE – INIMIGA DE UMA BOA COLAGEM

Problemas com a colagem de solas são uma das mais freqüentes razões para as devoluções. As colas hoje produzidas, são muito boas, mas o que deixa a desejar é a tecnologia da sua aplicação. O uso adequado da cola depende de vários fatores, muitos deles desconhecidos até dos próprios técnicos, encarregados pelos fabricantes de cola para ajudar na solução de problemas ocorridos durante a produção.

Um dos pontos que merece pouca atenção, mas é de máxima importância, é a umidade relativa do ar existente no lugar e no ato da aplicação da cola. – A umidade relativa do ar está sempre presente e, ainda bem, porque só nos começamos a preocupar com ela, quando cai abaixo de 20 %, ressecando lábios e dificultando a respiração.

Mas quando aumenta acima dos 55 – 60%, o que é desejável e confortável, e atinge 80% ou mais, começa a criar problemas com uma colagem perfeita. Como já disse acima, as colas de hoje são muito boas. São tão boas, que até suportam os maus tratos infligidos durante a produção, mas nada podem fazer contra as Leis da Física e da Química. Nossa meta é atingir 100% de eficácia da colagem. Mesmo desobedecendo estas Leis, sempre conseguiremos uma adesão devida a boa qualidade das colas. Mas a adesão de quanto? De 70%, de 60% ou menos ainda?

Há poucos dias medi a umidade relativa do ar, num dia chuvoso em Franca e o higrômetro acusou 83%. Comentei o fato numa fábrica em Palestina, SP e fomos consultar o higrômetro, recém adquirido. A umidade estava em 82% ! Se não observados estes níveis são uma ameaça para uma boa e permanente colagem. Repito: uma colagem permanente! Por que?

Quando o ar está saturado de umidade (e ela pode chegar aos 97 – 99%) aonde será que vai evaporar a umidade da cola, seja solvente ou seja água da cola a base d'água, se o ar já está cheio de umidade e não absorve mais nada? Será criada uma crosta na cola aplicada, que bem ou mal seca, debaixo desta crosta permanecem as moléculas do solvente ou d'água, que depois de prensadas permanecerão ativas e com o decorrer do tempo vão corroer a adesão de materiais colados até o ponto de rompimento.

Estamos tratando com partículas incrivelmente pequenas, microscópicas. As moléculas de água ou de solventes podem ser compostas de 2 até 100 átomos e formam macromoléculas. Estas são diretamente responsáveis pela resistência a uma boa colagem por permanecerem ativas, presas entre os materiais que deveriam ser colados. O diâmetro das macromoléculas, para termos uma idéia com a ordem de grandeza que estamos lidando, está geralmente na oitava potência negativa de 1 cm.

O que isso tudo representa em termos práticos para um gerente de produção?

Define que, na hora de reativação da cola, o substrato da cola deve estar completamente seco. Se a secagem for conseguida pelo tempo de secagem, pela estufa, pela passagem repetida pela estufa, até secar completamente - o meio para se conseguir a secagem completa não importa. Importante é que a cola esteja livre de qualquer vestígio de umidade seja d'água, seja do solvente. Deve estar seca!

Hoje dispomos de estufas com temporizadores e termostatos reguláveis que permitem adaptar o processo a qualquer condição do tempo. O que nos falta é a conscientização, sobre a importância da observação da umidade relativa do ar. – O que nos falta é um higrômetro na linha de produção para nos servir de alerta. Nossos sentidos não são suficientes para avaliar o teor d'água na atmosfera. Isto só pode ser conseguido com um higrômetro, um aparelho que custa menos de cem reais, mas que pode economizar muito dinheiro e, principalmente, aborrecimentos com reclamações e devoluções.

Sempre é bom lembrar que hoje a sapataria virou engenharia de precisão.

Zdenek Pracuch


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