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TUDO É RELATIVAMENTE SIMPLES Não sei a que atribuir determinados movimentos que, de vez em quando, preocupam a classe empresarial. Será um subconsciente coletivo na melhor tradição Freudiana ou Junguiana? Como explicar um súbito interesse de pessoas que não tem nenhuma ligação entre elas, pelos mesmos assuntos, ao mesmo tempo? Já vivi, digamos, a fase da preocupação com o consumo de materiais (que de longe não está resolvida e continua tão aguda quanto antes). Já passei pela fase de preocupação com qualidade (que também está longe de ser solucionada e, em contraste com o problema de consumo, não tem solução permanente. É uma batalha que recomeça a cada dia). E agora estou vivendo a fase do pesponto. De repente, todos se deram conta, de que o pesponto é a chave da produtividade da empresa e, melhor ainda, que o pesponto não é tão preocupante e que tem solução. E aqueles, que passaram o “abacaxi” para terceiros, á boca pequena, estão trazendo o pesponto de volta para as suas fábricas. Descobriram, que se livraram de um problema, para criar vários outros, e pior ainda, na dita solução que não podem interferir, porque está fora do alcance deles. Assim, começaram a se preocupar de como organizar e manter pespontos sob o próprio comando, com a qualidade e produtividade que o mercado de hoje exige. Qual é a solução? O que é necessário para ter um pesponto produtivo? É relativamente simples: Uma tonelada de bom senso, igual quantidade de espírito organizador e um cronômetro. As deficiências e fraquezas encontradas serão objeto de treinamento e de ajustes. Não venham com argumento, que o meu pesponto não tem jeito, não produz, amarra o serviço etc.. Qual é a base sobre qual está fazendo estas afirmações? Qual foi o estudo de tempo e de sequencia de trabalhos que Você fez para chegar a estas conclusões? Fui chamado esta semana por um gerente de produção (extremamente capaz) mas que "trombou" com pesponto. - “A produção não sai!” Porque? “Ah não sei, já experimentei de tudo e não sai.” A minha pergunta seguinte foi, se já fez análise dos tempos para confecção dos modelos que estão em produção. Fazer como? Pegamos uma prancheta e cronômetro e medimos tempos de um modelo, dos mais simples. Máquinas e trabalhos nas mesas, separadamente, mas totalizados os tempos para avaliar a capacidade do pesponto total. Resultado: 6 minutos e 32 centésimos. Pelo número de funcionários a produção diária deste modelo poderia ser de 2.200 pares. Pegamos outro modelo, bem mais complicado e resultado foi de 15 minutos e 62 centésimos. Deste modelo poderiam se produzidos 930 pares por dia. Não era necessário dizer mais nada. As pespontadeiras trabalhavam com a mesma velocidade, índice de ociosidade era perto do zero, mas é óbvio, que a produção ia variar, e muito. Abriam-se várias alternativas para o gerente em questão de como manter a produção equilibrada, estável. A melhor seria, caso os prazos de entrega o permitissem, colocar diariamente uma quantidade menor do calçado “complicado” junto com o mais fácil. – Mas este é um exemplo só, de uma situação única. Há uma infinidade de situações, que podem ser resolvidas de modo semelhante, com resultados imediatos. Já ia esquecendo, no decorrer da medição dos tempos, ainda descobrimos três pontos, onde se praticava colagem sem necessidade. Como disse antes, bom senso, aliado aos dados concretos e análise dos processos em uso, permite melhorar o rendimento do pesponto de maneira acentuada. Concordam comigo Kennedies, Evandro, Sonia, Elaine e Valéria que a coisa funciona? Se o pesponto fosse aquela dor de cabeça, o que diriam coitadas das confecções que só tem máquinas de costura? – Há muitas coisas obsoletas em nossos pespontos a começar pela escolha das máquinas, pela falta de treinamento, pelas falhas de planejamento ou de logística dentro da empresa etc., mas nada disso deve servir de desculpa para passar o problema para terceiros, ou não tentar melhorar. |
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