NÃO FALE EM CRISE, TRABALHE!

Esta frase na consagrada literatura dos para-choques de caminhões, li há muitos anos numa das crises periódicas que o Brasil atravessa. Temos que reconhecer que, “nunca antef nefte paíf” participamos, ou melhor, participaremos de uma crise mundial, que vai deixar o “crash” de 1929 parecer um ensaio de teatro de amadores. Se até a General Motors, o símbolo do capitalismo, tão vilipendiada pelos esquerdinhas, está ameaçada de ir á falência, o que se pode esperar mais?

Se até a China já se abalou de mexer nas suas formidáveis reservas para incentivar o consumo nacional e não precisar fechar tantas fábricas como as que já fechou até agora. Esta começando a ser muito excitante e interessante viver o dia-a-dia. Foi também interessante descobrir, que as reservas cambiais brasileiras de 200 bilhões de dólares, a despeito de conselheiros do Lula do quilate de Marco Aurélio Garcia e do anti-americanismo declarado do Itamarati se compõe principalmente de 170 bilhões de papeis do Tesouro Norteamericano!

Não fosse situação alarmante na indústria de calçados, o meio onde a gente passa esta existência, seria divertido observar o que acontece em redor. Infelizmente, não é assim. O que, porém, é mais espantoso, é que, a despeito de todos os sinais exteriores sobre o perigo de uma recessão para ninguém botar defeito e que já está implantada entre nos, ainda há gente, afirmando que já viu este filme muitas vezes e “no fim dá tudo certo”!

Com toda certeza, tudo dá certo para aqueles que estão cientes das dificuldades que iremos enfrentar e estão se precavendo e tomando as medidas necessárias. Quais são estas medidas e como podem ser tomadas? – Já escrevi muitas vezes, que hoje sabemos produzir calçado igual ao primeiro mundo, mas que a gestão das nossas empresas ainda segue modelo colonial de primeiro império.

Também já escrevi muitas vezes sobre os desperdícios, endêmicos na indústria de calçados. Já escrevi muitas vezes sobre a necessidade de agregar valores ao produto, sobre a vantagem de “trabalhar menos e ganhar mais”. Já escrevi muitas vezes sobre a necessidade de oferecer serviços primorosos desde a tiragem do pedido até a pós-venda.

Recebi bastantes elogios, mas vi pouca ação. Desperdícios continuam; no lugar do pedido o cliente recebe telefonema (se é que recebe) sobre o atraso na entrega, no lugar de utilizar os materiais de melhor qualidade para agregar valor ao produto, os materiais usados são a cada dia piores para baratear o custo e assim por diante.

A fatura por estas falhas será apresentada a curtíssimo prazo. A euforia do comércio está passando. O capital de giro do varejo que está representado pelos gavetões com fichas de crediário ou arquivos de computadores, está andando pelas ruas nos pés dos clientes, cuja inadimplência já está começando a assustar, junto com a ameaça crescente do desemprego. Que panorama! E ainda vamos postergar o dever de casa, de se preparar para enfrentar esta adversidade?

Caminhos há. Há muita coisa a ser feita. A única coisa que não será tolerada mais, é perder tempo à espera de bonança.

Zdenek Pracuch