TOYOTA E CALÇADOS.

Quase todos analistas da indústria automobilística estão de acordo, que neste ano de 2007 a Toyota, produtora japonesa de automóveis, irá desbancar a GM da posição de produtora mundial número um. Toyota a mais rentável indústria de automóveis do mundo está se tornando inspiração para outros empreendimentos e o TPS (Toyota Production System) está sendo estudado e aplicado, inclusive no Brasil.

Uma das últimas indústrias que aderiu ao TPS, por ordem da sua matriz francesa, foi a Danone de Poços de Caldas. Automóveis e yogurte? Por que não? Se os bancos ou hospitais pelo mundo afora aderem? Por que não?

Basicamente o TPS é de uma simplicidade franciscana e, custa a acreditar, que todo este oba-oba em torno do sistema merece toda esta repercussão. Demonstra mais o desleixo ou despreparo das indústrias e das entidades para uma situação de competitividade acirrada, a qual estamos vivendo a cada dia mais, do que uma incapacidade da gestão.

Em que se baseia o TPS? Racionalizar a produção, evitar desperdícios e conscientizar os funcionários sobre a importância de trabalho feito com perfeição logo na primeira vez. Porque no “toyotismo” o re-trabalho é pecado mortal e a tolerância com defeitos é zero.

Cada funcionário é incentivado para não prosseguir com trabalho caso identifique alguma anormalidade. “Quanto mais competência tiver ao nosso redor, bem melhores nossos produtos terão de ser para garantir a competitividade”, diz o diretor do planejamento corporativo da Toyota do Brasil, Percival Maiante.

O que nos podemos deduzir disto para a indústria de calçados? É evidente, que o treinamento e conscientização são elementos essenciais para se atingir o “toyotismo”, ou seja o TPS na indústria de calçados. – Quem lê com alguma freqüência os meus artigos sabe que há anos que venho batendo nesta mesma tecla:

Evitem desperdícios, de toda ordem e preocupem se com a qualidade. – Não penso em inspeção de qualidade somente no fim da linha de acabamento, mas por todos os envolvidos na produção, durante todo o processo produtivo, a começar pela entrada de materiais na fábrica.

A mercadoria que nossas fábricas produzem, infelizmente, não pode ser garantida por 3 anos contra os defeitos de fabricação, como o são os produtos da Toyota. Mas receber hoje devoluções e reclamações sobre descolamento de solas, ou costuras descosturadas, convenhamos, não tem mais cabimento.

No combate que já estamos presenciando, só os mais capazes e responsáveis sobreviverão. Alguém pode ter dúvida sobre a grandiosidade da General Motors, que durante decênios servia de ponto de referência pela excelência? Dirigida pelo lendário Alfred P. Sloan Jr. paradigma de manager? E agora assistimos a ultrapassagem do gigante pela firma japonesa que, até há poucos anos lutava pela sobrevivência e não eram poucos que a davam como liquidada.

Que isto sirva de incentivo àqueles que querem lutar, mesmo nas condições muito adversas. Temos ainda muita munição e cartuchos para queimar. Não queimemos o mais importante que é o tempo. O tempo para reagir.

Zdenek Pracuch

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