TEMPO - CADÊ TEMPO?

Há poucos dias acompanhei a vida de um executivo duma empresa de médio porte. Foi um dia de atividade normal para uma empresa, bem constituída, com funcionários treinados e responsáveis. Analisei a rotina, momento a momento, tomada de decisões e todas as atividades de uma gestão rotineira.

No dia seguinte, conversando sobre as observações, choquei o executivo com a afirmação, de que o tempo real dedicado a gestão direta dele e que não poderia ser delegado a outra pessoa, não passava de uma hora por dia. Ou seja, o trabalho dele, como executivo e gestor ocupava uma hora das nove que despendeu na empresa. O restante do tempo foi ocupado com assuntos triviais, que nada tinham a ver com a alta posição por ele ocupada e, das duas uma, ou nunca deveriam chegar ao nível dele, ou deveriam ser delegadas no momento que tinham chegado ao seu nível.

Para quem convive com altas direções das empresas, para quem mantém contato com os dirigentes, sejam eles proprietários ou profissionais contratados, este fato não representa nada de novo. Há desperdício de tempo, e falo do tempo muito bem remunerado, que não pode ser, em hipótese alguma, comparado com o tempo de funcionário comum e sobre cujo aproveitamento do tempo – barato – existe tanta preocupação!

Há muito poucas ocasiões onde o ato decisório do executivo é solicitado na hora. Há pouquíssimas emergências que exigem ação imediata. E o tempo precioso, que deveria ser aplicado em ação diretiva e decisões estratégicas, é desperdiçado com ações que não têm importância, ou só têm uma importância efêmera.

Pela dinâmica da economia do terceiro milênio, a função do dirigente hoje é muito mais dependente das influências externas do que o foi até há uns poucos anos atrás. O executivo que fica sentado esperando as informações chegarem a ele, que perde o contato direto com o mercado, sempre estará atrasado e em desvantagem em comparação com os colegas mais dinâmicos e agressivos.

Quando pergunto aos dirigentes de quantos seminários, cursos e palestras têm participado nos últimos tempos, a surpresa está em descobrir que alguém tinha participado de algum, porque a resposta padrão é – de nenhum! A atualização e inovação não é só um assunto para revistas especializadas em gerenciamento. São assuntos que garantem a sobrevivência de qualquer empreendimento! Cursos e seminários como os da revista Exame ou Management, por exemplo.

Os assuntos apresentados sempre são de grande valia para qualquer dirigente. Mas o maior interesse e proveito ainda é nos encontros nas pausas para café, na troca de idéias com os colegas ou os contatos valiosos estabelecidos durante estes encontros. E a maior surpresa, ou uma surpresa dolorosa para um executivo convencido da importância dele é quando na volta descobre que a empresa andou perfeitamente bem na ausência dele que, talvez, a ausência dele nem tinha sido notada!

O dirigente atarefado, por culpa própria, durante todo o tempo que permanece na sua empresa, não tem tempo para nada, ou acha que não tem, nem para as tarefas das mais importantes para uma boa condução de negócios. Quais são elas?

Delegar – permitir que os subordinados assumam a responsabilidade e aprendam atuar dentro dos limites da sua responsabilidade. 

Formar – facilitar os estudos  ou treinamentos para melhorar a qualificação de funcionários.

Informar – a equipe deve ser informada sobre as metas, sobre a estratégia da empresa e periodicamente atualizar este conhecimento sobre as metas alcançadas ou não.

Animar – manter um ambiente de cordialidade e de cooperação mútua.

Relevar a importância de cada membro da equipe para o resultado final do cumprimento de metas.        

Parece fácil? É fácil para quem pratica. Mas a grande maioria não o faz. Pelo  levantamento da empresa especializada Omint 95,5% dos executivos brasileiros não mantêm uma alimentação adequada, 44% são sedentários e 31,5% têm índice elevado de stress! Os índices de ansiedade e de tensão são difíceis de serem quantificados, mas existem em escala assustadora.

Como nos sentiríamos sentados num avião sabendo que o comandante está tenso, ansioso e vítima de um stress intenso? Qual seria o desfecho? Qual será o futuro da empresa dirigida pelo executivo nas mesmas condições? Senhores, aprendam a aproveitar o tempo de um modo racional, produtivo, estudando, viajando, visitando feiras internacionais, conhecendo novos mercados etc. livrem se das tensões e ansiedades e dirijam as suas empresas como se fosse um joy-stick de um videogame. Para o bem de todos.

Zdenek Pracuch
07/01/13