TABU DA ABSORÇÃO DE CHOQUES PELO SALTO

O professor Peter Brüggemann da Universidade Alemã de Esportes de Colônia, na Alemanha não tem medo de provocar controvérsias e demolir tabus e opiniões, mesmo que sejam sustentadas pelo marketing e publicidade de nomes fortes no mercado mundial.

A última controvérsia em que se meteu foi com respeito á absorção de choques e o acolchoado do calçado esportivo para os corredores. O nome dele hoje deve ser execrado pelos maiores nomes da indústria de calçados esportivos, mas como argüir contra argumentos científicos bem documentados? O ponto de partida para a controvérsia foi dado quando o atleta sul-africano Oscar Pistorius, que corre com próteses nos dois pés amputados abaixo dos joelhos, teve o nome dele vetado para participar da Olimpíada de Pequim.

A participação dele foi permitida depois nas Paraolimpiadas também em Pequim, onde ganhou medalhas de ouro nas  corridas de 100, 200 e 400 metros. Professor Brüggemann estudou o caso dele e verificou que o Pistorius pode atingir a mesma velocidade dos outros corredores normais, porém, com um dispêndio de energia 25 % menor! Este foi o motivo de não permitir que ele corra com os outros atletas sem deficiências físicas.

O estudo do professor Brüggemann aprofundou o nosso conhecimento da bio-mecânica dos pés dos atletas corredores, amadores e competidores profissionais. Devido a ação dos marqueteiros e até pela expansão da noção do conforto, o acolchoado dos calçados esportivos está atingindo um nível que até prejudica o desempenho do atleta e com base nos estudos feitos pelo professor Brüggemann é prejudicial até para a saúde dos pés. Segundo seus estudos, os atletas que correm com calçado com menor poder de absorção sofreram menos danos nas juntas e ligamentos. Por quê? Segundo o professor “o impacto continuo leva ao crescimento da massa óssea e á maior resistência do pé. Pronto. Isto prova que todo o conceito de acolchoamento está falho”. 

O acolchoamento afeta a pronação – o movimento rotatório do pé, quando sai da posição parada. O pé descalço reage diferentemente do pé calçado. Mas quanto mais parecido o calce com o pé descalço, ou seja, com menos conforto aparente, melhor para o pé, porque os músculos, as juntas e os tendões são forçados a se exercitar mais e com isto se tornarem mais resistentes.

Por este motivo o que realmente importa não é tanto o conforto, ou maciez que o pé pode sentir durante a corrida ou exercício. O que realmente importa é um calce perfeito que não permite que o pé se desloque lateralmente ou tenha folga excessiva no comprimento. Nunca é demais salientar a importância de um contraforte firme e bem moldado. É fácil identificar o calçado que não atende a este requisito. Basta olhar a parte do calcanhar, onde o calçado mal conformado fica de “boca aberta”.

Os maiorais do calçado esportivo não estão gostando nada destes estudos e das conclusões. Investiram milhões em estudos de materiais mais indicados para absorver os choques, investiram milhões em publicidade para convencer as pessoas a comprar os calçados com este feitio e agora deveriam voltar às velhas entresolas de EVA com alguma cobertura de borracha ou de PU para melhorar a durabilidade? O cliente comum não tem a menor idéia o que está comprando nem tem como avaliar a diferença entre um calçado e outro. E nem quer saber. Todo mundo está comprando, não está?

Nada o que está escrito acima significa que o calçado não deve oferecer conforto. Mas o professor Brüggemann faz o ponto final sobre a discussão, dizendo que nenhum dos atletas que participou ativamente dos estudos fez do conforto o ponto numero um das suas preocupações. O mais importante para todos foi um calce perfeito. Se o calçado assenta bem, ajuda ao corredor poupar o consumo de energia. E, no final, para um atleta é isso que conta!

Zdenek Pracuch