SAÚDE DOS PÉS DAS CRIANÇAS - Parte II

Este artigo é continuação do artigo anterior que tratava dos calçados saudáveis para as crianças de até 3 anos, com todas as recomendações para proteger os pés das crianças na fase delicada de formação da estrutura óssea, cujas conseqüências danosas podem comprometer a formação dos pés para vida inteira.

Recomendações para a idade de 3 a 5 anos (tamanhos 24 – 27):

Em comparação com o primeiro grupo de crianças, as crianças nesta idade são muito mais dinâmicas. Torna-se necessário respeitar o fato de que o pé continua com o seu desenvolvimento, mas a altura do calçado pode ser mais baixa do que o foi para o grupo anterior. Com a ressalva da observação na coluna anterior sobre as diferenças climáticas entre Europa e o Brasil.

Comprimento – deve ser igual ou um pouco maior que o tamanho específico.

Bico do calçado – assim como no grupo anterior, deve oferecer bastante espaço, para os dedos não serem forçados  a se sobrepor, afim de evitar “unhas encravadas”. A altura da forma sobre a qual é montado o calçado deve ser medida de acordo com as tabelas atualizadas, para permitir um espaço suficiente para a estrutura do pé na junção dos ossos dos dedos com os do metatarso.

Parte traseira  - deve obedecer às medidas de tabela de circunferência e de altura.

Entrada do pé  - deve obedecer ao arco natural do pé, com tolerância de 5 mm da frente e de trás.

Relevo da sola – sem prejudicar o desenvolvimento e movimentos do pé, a sola pode ter um acréscimo de 4 – 6 mm na frente e 5 - 8 mm atrás.

Recomendações para a idade de 5 a 7 anos (tamanhos 27 a 33):

O pé está ficando mais estruturado e definido. Está ganhando em flexibilidade e o arco começa a se formar alongando o pé em algo como 5 mm. O calçado começa a ser parecido mais com o dos adultos e é nessa idade que começa a ficar aparente a diferença entre os pés de meninos e de meninas. Fica evidente a necessidade de ter calçado específico para cada sexo.

Os pés das meninas se definem mais depressa que os dos meninos e é nesta idade onde devem começar a ser produzidos os calçados para meninas sobre formas mais finas e com saltos mais acentuados, embora ainda baixos. Para grupo desta idade dever-se-ia considerar a numeração diferenciada para cada sexo. Na Europa, como no Brasil, esta diferenciação não existe. A diferença é mais acentuada na largura do pé (condição anatômica) e na altura do salto (condicionada pela moda). A partir desta idade, as solicitações sobre o calçado estão quase iguais ao calçado dos adultos.

Cabe observar que na numeração americana esta diferença de numeração existe há mais de cem anos e temos distinção entre “Boys” e “Misses”, onde 12 ½  Boys é igual a 1 de Misses (numeração americana). O tamanho 1 de Boys é 13 mm maior do que o tamanho 1 de Misses, praticamente dois pontos franceses.

Alguns fabricantes brasileiros de formas não consideram a numeração de formas com muito rigor, mas nas reuniões do Conselho de Avaliação e outorga do Selo de Aprovação da Sociedade Brasileira de Pediatria, muitas formas não foram aprovadas por terem as medidas em desacordo com a anatomia do pé.

O estudo do Le Centre Technique Cuir Chaussures Maroquinerie de Lyon, França é uma contribuição importante, atualizada, porque a última tabela cientificamente elaborada foi a alemã AKA 64 de 1964, que é usada ainda hoje, porém, com bastante tolerância.

No Brasil nunca foi  feito um levantamento similar, o qual encontraria dificuldades razoaveis para chegar a um denominador comum, devido as diferenças étnicas entre diversas regiões. Os pés sulistas diferem substancialmente dos pés de nordestinos, o que deve valer igualmente para os pés das crianças. Por enquanto, vamos aplicar as medidas das tabelas internacionais, pelo menos como guias, na falta de dados rigorosamente científicos.

Mas quem sabe, alguém se decide a patrocinar um trabalho tão importante para a saúde?

Zdenek Pracuch