A SUA EMPRESA ESTÁ SANGRANDO ?

Ou está acumulando gordurinhas? - “Como é que vou saber?” ouço como resposta, quando faço esta pergunta relativa ao comportamento do capital de giro, ou capital de trabalho como alguns o denominam.

“E dá para saber? Porque é que o meu contador nunca me falou nisso?” são outras perguntas que recebo em resposta á minha indagação. – Claro que dá para saber, ou melhor, é absolutamente necessário saber!

Vivi na semana passada uma experiência gratificante. Em janeiro deste ano ensinei á esposa de um empresário, a qual toma conta da parte financeira da empresa, duas coisas: a primeira foi a contabilidade de resultados e a segunda o acompanhamento da evolução do capital de giro.

Fevereiro foi o primeiro mês, em que a senhora coletou os dados, fez as contas e, a despeito do pessimismo do marido, que achava que o mês foi fraco e que a empresa devia ter dado prejuízo, ela, com base nos números frios, incontestáveis, provou a ele, que a empresa deu lucro! Menor do que daria se a situação do mercado fosse outra, mas lucrou.

Quando fez as contas para apurar o comportamento do capital de giro, a situação se inverteu. A empresa sofreu uma pequena sangria. Nada de assustador, mas contrário á euforia de ter apurado lucro, a pequena sangria no capital de giro doeu um tanto mais.

“Como se explica isso? Conseguimos lucro e o capital de giro diminuiu? Como pode ser?” Custou-me um pouco para explicar aquilo, que aliás, pouca gente entende: Que a atividade econômica, ou seja lucro ou prejuízo, independe da outra atividade, que é a atividade financeira. Em outras palavras, posso viver pendurado no cheque especial empresarial até todos os limites, mas possuir uma empresa altamente lucrativa. Ou posso ter um gordo saldo bancário, mas a minha empresa está caminhando para fechamento.

Parece paradoxo? Mas não é. Posso citar um exemplo como este fato torna-se compreensível para todos. Introduzi há cercade quarenta anos os dois sistemas acima mencionados numa grande empresa de calçados. Que depois se tornou ainda bem maior. Um dos comandantes da empresa, o mais importante, logo percebeu a importância deste acompanhamento. Nas reuniões da diretoria, semanais, antes de entrar em análise detalhada corria os dedos para a terceira página do relatório. Se a última linha estava azul, tudo estava azul – capital estava estabilizado ou ganhou reforço e todos nos fomos os maiores e melhores. Mas se a última linha estava vermelha, parecia ás vezes, ensaio geral para o fim do mundo. “Estamos perdendo substância!”

Com o passar dos anos a firma cresceu demais, dinheiro não faltava, para que se preocupar com o acompanhamento do capital de giro? Já ganhamos! Depois vieram gerações de consultores, cada um com uma teoria diferente, a empresa experimentou todas, mas ninguém se preocupou em acompanhar o comportamento do capital de trabalho.

Surgiram outros fatores: perda de mercado, dificuldade com câmbio, pressão dos importados etc.etc., mas a falta do capital foi o fator pior. O final da história já está definido. A firma está para fechar.

Nem a contabilidade de resultados, nem o acompanhamento do capital de giro, nem o planejamento tanto de vendas e de produção e, principalmente, financeiro são invenções minhas. Estão na base do sistema Bata, onde apreendi o meu bê-a-bá técnico, industrial e empresarial. O sistema deve ser bom, já que em 1997 a Bata mundial festejou os cem anos da sua fundação. O sistema de controles ajudou a Bata a crescer de uma oficina sapateira com três oficiais para um colosso com uma produção de mais de um milhão de pares por dia, somando-se todas as fábricas espalhadas pelos quatro cantos do mundo.

A senhora empresária, de que falei no começo desta crônica ficou tão entusiasmada com o que aprendeu, que decidiu fazer estas duas verificações contábeis semanalmente o que, aliás, é feito na organização Bata, já que um mês é um período longo demais para fazer as correções de rumo.

A situação hoje é bastante diferente. Faço votos para que a empresa da senhora cresça, mas principalmente que o crescimento dela seja sólido, ordenado e seguro. A ferramenta para tanto já possui.

Zdenek Pracuch