QUAL É O RUMO A TOMAR ?

Mais uma Francal se foi. Como sempre, muitas esperanças, turbinadas pela situação difícil em que se encontra a indústria de calçados, esperanças estas que na grande maioria dos casos ficaram naquilo o que eram. Esperanças.

Como diz o velho provérbio: O melhor da festa é esperar por ela. Agora, vamos novamente tocar o nosso dia a dia, com menos ou mais dificuldades. Quem sabe, desta vez vai sobrar algum tempo de olhar em redor e observar o que fazem os nossos colegas, não só em Franca, Nova Serrana, Birigüi, Parobé ou Novo Hamburgo. Ver, o que fazem ou pretendem fazer, os colegas italianos, espanhóis e principalmente os orientais.

Foi muito instrutiva a entrevista do signore Vito Artioli, presidente da Associação Nacional Italiana de Fabricantes de Calçados (ANCI), que enfatizou, que as atitudes entre os fabricantes estão mudando. Está cada vez mais claro que as companhias italianas tem que produzir calçados, que os consumidores possam calçar numa variedade de contextos, que os preços devem ser competitivos, mas sem comprometer a tradição da beleza, qualidade, estilo e elegância. – Novos mercados estão se abrindo para nós, diz ele, com crescimento de pessoas de ganhos cada vez maiores nas economias rapidamente crescentes do mundo.

As companhias devem colaborar mais ativamente entre si, dividir as soluções, centralizar atividades como a da distribuição e penetração de novos mercados como ex-União Soviética, África, Oriente Médio, Ásia (sim, senhores) e America do Sul.

Ao mesmo tempo as companhias devem praticar o uso de materiais mistos e não somente o couro de mais alta qualidade, racionalizar a produção para obter maior produtividade e abandonar aspectos artesanais, que não são devidamente valorizados pelos consumidores de classe média.

Se a Itália conseguir vencer estes desafios, poderá produzir 19% da produção mundial e atingir estonteantes 32% do valor da produção mundial! – Vito Artioli sabe que isto não será fácil, mas também sabe que as mudanças nunca o são.

Já o Peter Mangione, presidente dos Distribuidores e Varejistas de Calçados dos Estados Unidos (que já visitou a Francal até em Franca a convite do Wilson Sábio de Mello, de quem foi grande amigo) acredita que a chave para indústria de calçados está nas mãos do varejo e da distribuição. Segundo ele, os elementos principais estão em interpretar exatamente as aspirações dos consumidores, procurar e estocar os calçados certos em quantidades certas, e faze-los disponíveis pelo preço acessível, por qualquer canal preferido pelos consumidores.

O consumidor americano compra em média oito pares por ano, contra a metade disso na União Européia e contra 1,96 pares na China e 1.91 na Índia. Este mercado gigantesco está hoje quase que por inteiro nas mãos de 14 maiores companhias, capitaneadas pelo Wal-Mart e JC Penney.

Mas o segmento que mais cresce por lá é a venda por Internet, representada pela maior companhia hoje, a Zappo, cujo fundador Nick Swinmurn acredita, que em breve, este tipo de venda responderá por 30 % do movimento. Zappo possui dois milhões de pares em estoque de 500 marcas de maior prestígio e espera vender este ano um volume de 800 milhões de dólares.

Não podemos apreender muito deste último exemplo. É fácil entender porque. Uso de computadores ainda está muito restrito no Brasil. Quem pode dar se ao luxo de manter uma grande quantidade de mercadoria em estoque para entrega em 24 horas? Como iria ficar a posição do fabricante perante os lojistas, se o produto dele pela Internet ficasse 30 a 50% mais barato, do que o da loja com remarcação de 100%? Temos unicamente a nosso favor o perfeito serviço dos Correios, mas felizmente ou infelizmente, dependendo do ponto de vista, não o poderemos aproveitar com esta finalidade.

Antonio Garrigues, madrileño, advogado de direito internacional externou a sua opinião sobre as mudanças no cenário global da indústria de calçados: Nada mais está secreto nos dias de hoje e cada idéia boa será imitada imediatamente. A despeito disso, o mais importante é exercer a investigação científica e trazer sempre idéias novas. - As pessoas em todos os lugares querem viver melhor a por mais tempo e o calçado pode fazer parte disso. Consumidores podem ter um calçado que irá melhorar as suas vidas e contribuirá para a sua saúde e melhorar os cuidados médicos que possam necessitar.

Número excessivo de fabricantes de calçados foi atropelado pelo Expresso Chinês e perdeu confiança em si mesmo, Mas existem técnicas e tecnologias que podem ser aplicadas com sucesso em qualquer país para fazer frente á esta ameaça, com sucesso. O que falta, muitas vezes é a coragem, de sair das trilhas batidas e traçar um caminho novo.

A pergunta carrasco de novas idéias é: Alguém já fez isso? O medo do desconhecido se justifica numa criança de cinco anos, mas está fora do lugar num empresário que se considera arrojado e bem sucedido. Por que não analisar bem a situação e a solução proposta, sem se apoiar na muleta de alguém já fez?. Graham Bell, Ford, Santos Dumont e no nosso caso de calçado Tomas Bata – com absoluta certeza nunca fizeram esta pergunta!

É a mesma coisa com os fumantes. Alguns analisam o que fazem e param de fumar. Conseguem. Outros fumam, sabendo o doloroso fim que os espera, mas preferem continuar naquilo o que fazem por tantos anos, mesmo sabendo para onde estão caminhando.

Zdenek Pracuch

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