REPENSAR AS ROTINAS. ESTÁ NA HORA ! 

A situação atual da indústria de calçados não promete muito para futuro. Principalmente para as firmas de médio e pequeno porte que, a despeito da maior flexibilidade que possuem, tornam-se vítimas da imobilidade e da tendência de copiar o que os grandes fazem.

As mudanças no mercado, invasão dos importados, dificuldades com cotação do câmbio – tudo isso contribui para sublinhar mais ainda as incertezas do futuro. A Francal foi uma decepção para muitos, o que era de se esperar, pela situação do mercado, agravada pelas incertezas políticas que o País está atravessando.

O que fazer? Não vamos perder tempo em pensamentos á curto ou curtíssimo prazo. Problemas que se aproximam exigem de nós repensar a própria maneira de conduzir os negócios. Em primeiro lugar, precisamos sair do pensamento rotineiro e procurar novos rumos, novas maneiras de agir, antecipar-nos aos acontecimentos. Novos hábitos estão sendo adotados, novas gerações estão amadurecendo com novas idéias e novas tecnologias estão sendo absorvidas pela vida cotidiana. Tudo isso terá influência marcante sobre a indústria, principalmente na área da comercialização e da distribuição. Vejamos :

Comunicação com clientes: Em técnicas de comunicação, a Internet está na sua infância. É difícil de prever até onde chegaremos em matéria de comunicações dentro de poucos anos. Mas temos que estar preparados para um atendimento diferente do de hoje, quanto ás comunicações com os clientes.

Flexibilidade da Internet: Aproveitar-se da flexibilidade que a comunicação pela Internet oferece e preparar-nos ao atendimento rapidíssimo de pedidos individuais que forçosamente serão solicitados, tanto pelos lojistas como pelos compradores individuais.

Técnicas de venda: Uma completa reformulação na técnica de vendas, acompanhada de soluções de logística será necessária, para poder atender a clientela no ritmo das comunicações atuais e no ritmo de vida mais rápido do terceiro milênio. Os atuais representantes comerciais perderão muito da sua importância e técnicos em comunicação assumirão o lugar deles.

Atendimento em questão de horas: A mesma velocidade que sociedade está acostumada nas comunicações, irá exigir nos atendimentos das suas necessidades. “Delivery” que ainda não encontrou tradução para o português, será incorporado como modo de vida até para a compra de calçados.

A produção terá que se adaptar: Será imperiosa a adaptação para produção de modelos individuais, nas formas individuais, escolhidos pela Internet, comprados e pagos pela Internet em prazos que hoje podem ser considerados fantasiosos. Mas não há nenhuma fantasia no que já se tornou a realidade. No Canadá já existem firmas que operam por este sistema. O principal capital delas com a ajuda da informática é o cadastro das medidas dos pés dos clientes. Não acredito, que seja somente pela novidade, que o negócio prospera. Acredito, isto sim, que prospera pela comodidade e o atendimento individual. Sem sair de casa o cliente recebe o modelo na cor e material por ele escolhido, com a segurança do calce perfeito.

Nova elite: Não podemos esquecer que está se formando uma nova elite, para a qual a Internet é um modo de vida, que há gente passando maior parte do seu tempo livre em frente á tela do computador e agora já até da tela do celular, e que fez da eletrônica e das comunicações um estilo de vida. – Pela recente pesquisa um jovem passará até atingir 21 anos cerca de 50.000 horas do seu tempo livre na frente do computador.

Propaganda: Os publicitários terão que adaptar a promoção dos clientes das suas contas a estes novos hábitos, porque a maior orientação para as compras não será mais a vitrine da loja ou out-doors, mas a própria Internet, ou o que dela evoluir. Informação via Internet terá mais credibilidade para a nova geração do que qualquer anúncio por outra mídia.

Como se vê, há sérios desafios para formulação do futuro da indústria de calçados e os empresários, cuja preocupação principal, até hoje, foi em produzir, descobrirão que somente isto não basta.

Novos caminhos terão que ser descobertos para atingir o consumidor final, novos caminhos de comercialização e de distribuição terão que ser inventados e adotados por aqueles que querem permanecer em atividade.

Estamos caminhando para tempos novos, interessantes em termos de desafios e de abandono de rotinas consagradas por dezenas de anos. Ninguém pode parar evolução. Quem tentar ir na contra-mão da evolução ou não souber adaptar-se, não terá condições de sobreviver.

Zdenek Pracuch