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EFEITO PIROTÉCNICO Pois é. Franca queimou sapatos em praça pública. Um protesto e tanto. Depois da frustrante audiência com o mandatário supremo, que a nada se comprometeu, o que mais restava a fazer? Um protesto simbólico, que mereceu vinte segundos de tempo na televisão e umas notinhas na imprensa nacional. Novamente ficou comprovado, que a indústria de calçados não conta. A preocupação do dia está com a indústria automobilística que, com boa antecipação, já está preocupada com a invasão dos carros chineses daqui a três a cinco anos. A indústria têxtil, confecções e de brinquedos já estão numa situação pior que a indústria de calçados, mas mesmo assim, o governo que prometeu a criação de dez milhões de empregos não se mexeu e, se alguém espera que este mesmo governo tomará alguma providência em favor da indústria de calçados está se iludindo a si mesmo. Dirigente de uma importante indústria de calçados apontou, na sua opinião, três motivos para a atual crise do setor: As importações do Oriente: onde o governo, de fato, tem uma culpa enorme, por confundir ideologia com economia, os comunistas enrustidos no Itamaratí, torpedearam a Alca que tanto poderia beneficiar o setor calçadista, preferindo no seu anti-americanismo histérico o Mercosul e a China Vermelha. Câmbio desfavorável: fator que complicou sobremaneira a vida dos calçadistas, acostumados como estavam com um câmbio favorável, durante anos. Mas o câmbio é comandado pela macroeconomia e foge às intervenções políticas. Pode ser, que agora, com fuga dos investidores estrangeiros para Ásia, haverá menor disponibilidade de dólares no mercado e a taxa pode reagir. O novo problema será, em como reconquistar os mercados perdidos! Impostos altos: Aqui sim, novamente temos o governo ou o desgoverno. Com as roubalheiras ultimamente descobertas e com as legiões de companheiros mamando nas tetas do Estado, não há imposto suficiente para esta turma de apetite monstruoso. Haja imposto ... Em todos estes pontos, o nosso dirigente calçadista tem toda razão em reclamar. Num só ponto ele deixou de reclamar, onde deveria falar da própria classe dos empresários calçadistas. Falar da acomodação com a vida relativamente fácil, com um mercado cativo, com a sonegação campeando, com exportações com poucos concorrentes e assim por diante. Estas facilidades acabaram e o que estamos vendo agora é uma perplexidade geral. E agora? Agora estão aflorando os anos perdidos da falta de atualização, modernização tanto das empresas como das mentes que as comandam. Onde foram aplicados os recursos acumulados na época de vacas gordas? Quanto foi investido na atualização tecnológica e administrativa? Encher a fábrica de terminais de computadores e de sistemas criados a partir de modelos obsoletos de gestão da primeira metade do século passado, não quer significar a modernização ou atualização. Significa, isso sim, a falta de compreensão daquilo o que está acontecendo ao redor de nos. Não é fácil. Só para acompanhar as mudanças já é difícil, o que dizer, então, de adaptar-se a elas? Onde está a flexibilidade empresarial e pessoalmente, a mental, necessária para tanto? A gestão das empresas requer um planejamento a partir de vendas, pesquisa de mercado, originalidade na criação e nos lançamentos, a constante atualização de tecnologias, enxugamento dos quadros improdutivos, controles rigorosos das despesas, dos resultados, da manutenção e evolução do capital de giro etc.. Quantas empresas podem dizer que dominam e praticam este tipo de gestão? A mudança das empresas para Nordeste ou Norte pouco resolverá, se na mudança serão levados os velhos vícios, com o fator agravante de ficar longe dos fornecedores e dos mercados principais. Quantos pares serão necessários vender com lucro para pagar uma viagem de caminhão ou uma passagem aérea? Não é fácil ser dirigente empresarial, e ser dirigente de uma empresa calçadista menos ainda. Se, fazer fogueira de calçados fosse solução, teríamos a noite de São João pelo ano inteiro. – É melhor trabalhar e tratar de recuperar os anos de acomodação e de atraso. |
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