FICARÁ SÓ NAS PALAVRAS ?
A incerteza domina o setor empresarial. Palavras vazias de otimismo infundado, um tipo irresponsável do wishfull thinking, ou seja “tomara que seja” na avaliação de 2013, por parte das autoridades econômicas, deixam o ambiente enevoado e aqueles a quem foi delegado o poder de decisão, de condução de empresas e de homens, ficam sem saber como agir, como conduzir.
As palavras que predominam no vocabulário econômico de hoje são duas: produtividade e competitividade. As duas são da responsabilidade na atuação dos empresários no entendimento governamental. Mas se não forem baseadas nas ações do governo no sentido de transformá-las em algo palpável e realizável, vai ficar só nas palavras.
Torna-se difícil até em pensar em termos de produtividade e de competitividade quando se analisa o comportamento governamental. Já nem se fala mais em reformas tributárias ou das obsoletas leis trabalhistas. O “pibinho” polarizou as atenções. Mas como o Brasil vai sair da sucessão dos “pibinhos” futuros se o crescimento da economia deverá depender tão somente do crescimento do consumo? Se a falta de investimentos, principalmente na infraestrutura e na educação, vai continuar?
A destruição da política monetária, com malabarismos contábeis para apresentar superávit primário, queda forçada de juros, gestão desastrosa das empresas estatais, do aumento dos déficits em conta-corrente, da elevação da dívida pública com os gastos sempre crescentes e consequente emissão de títulos públicos para pagar juros públicos, com a infraestrutura caindo aos pedaços, alguém pode nos dizer como podemos ser competitivos? Com um trilhão recolhido de impostos?
Estes problemas macro escapam a atuação dos empresários calçadistas no seu ambiente de microesfera. Mas seguramente afetarão o desempenho das empresas exatamente nos sentidos de produtividade e de competitividade. Não resta nenhuma dúvida de que o empresariado do ramo está, com pouquíssimas e honrosas exceções, despreparado para atuar neste ambiente hostil.
Quantos empresários tem realmente um controle contábil das suas atividades? Quantos empresários podem dizer com absoluta segurança qual foi o resultado econômico – lucro ou prejuízo - do último mês, ou melhor ainda da última semana? Quantos empresários têm um efetivo controle de capital de giro e podem dizer se estão criando gordura ou sofrem de uma hemorragia?
Quantos empresários acompanham, ou têm condições contábeis, de acompanhar o valor do capital imobilizado pelo baixo giro de mercadoria? Se têm estoques excessivos imobilizando o capital tão difícil de ser conseguido? Quantos empresários têm um planejamento financeiro, levando em conta os recebimentos espaçados de até 210 dias combinados com compromissos a curto prazo? Quase nenhum. E isso em pleno terceiro milênio com todos os recursos que a informática nos proporciona.
Participei de um episódio típico de desorientação. Aviso, que a empresa tinha implantado os controles acima descritos e eram mantidos semanalmente pela esposa do dono. Recebeu visita de um banco de primeira linha, para oferecer empréstimo de capital de giro com base no balanço e no cadastro. A gerente de crédito era amiga minha, mas como profissional fui obrigado a dizer ao meu cliente que não deveria tomar o empréstimo, em primeiro lugar porque não necessitava. Se precisasse de capital era só melhorar o giro da mercadoria em produção e reduzir o almoxarifado e teria mais capital do que lhe foi oferecido.
Além do mais, mesmo com prazo de carência, assumir parcelas de 60.000 por mês, quando a lucratividade da empresa girava em torno de 40.000 mensais era arriscado demais. A minha amizade com a gerente resistiu porque o credito foi aceito. - Mas a empresa hoje não existe mais.
Competitividade? Competir com quem? Na exportação os resultados estão visíveis. E no mercado interno? Estamos todos no mesmo barco. Legislação, infraestrutura, falta de mão-de-obra especializada – nada disso compete ao empresário ou está ao alcance dele para corrigir.
Produtividade? Aí sim, podemos realmente conseguir grandes diferenças. A começar pela pesquisa do mercado, lançamentos espaçados, desenvolvimento de modelos economicamente viáveis e perfeitos sob ponto de vista operacional, giro de mercadorias em produção em questão de horas e não de semanas, entregas expressas, eliminação de operações inúteis como colagens no pesponto, verticalizar a produção com o fim da custosa terceirização – há tanto a se feito!
Cada um destes itens daria um Manual de Instruções. E, acreditem, há empresários que me pedem instruções para os problemas específicos deles por e-mail! Com a melhor das boas vontades, não dá para atender. Cada caso é um caso e merece estudo. Mas o passo, o passo mais importantes, é mudar a mentalidade e ficar aberto para os novos tempos. Para uma aplicação real da gestão no sentido pleno das palavras produtividade e competitividade.
Zdenek Pracuch
18/02/13