DE PACOTE EM PACOTE ...
a vaca vai para o brejo. Depois de muita fanfarra foi lançado mais um Plano Brasil Maior. Mas o que de fato aconteceu para melhorar a situação da indústria no Brasil? Trocando em miúdos – nada. As medidas são cosméticas porque não foram ao fundo do problema. Como exemplo podemos citar a postergação do pagamento do PIS e COFINS do mês de abril e maio para os meses de novembro e dezembro de 2012, para aliviar a situação financeira das empresas. Isso não passa de uma piada cruel. Adiam logo para os meses do fim de ano, quando as despesas são maiores?
Por que não abolir estas contribuições de uma vez? Medo de faltar dinheiro para as obras da Copa do Mundo ou do Trem Bala? O que parece uma afronta aos empresários que lutam pela sobrevivência das suas empresas é o servilismo dos representantes das entidades de classe perante o Governo. O pronunciamento do senhor Milton Cardoso, presidente da Abicalçados é típico: “O pacote atendeu a vários pontos que vinham sendo posicionados pela entidade junto às autoridades”. Por que, então, segundo o colunista Giba-um (25.4.2012) a Vulcabrás fechou sete fábricas e demitiu 5.000 dos 8.000 funcionários? Por que teve prejuízo de 315 milhões em 2011? Por que quer importar 40 % do volume comercializado no Brasil da China? Sobre isso o senhor Cardoso não falou.
O senhor José Fernando Bello o novo presidente CICB já foi mais comedido: “As medidas para incentivar o crescimento das indústrias brasileiras, entre elas os curtumes, foram bem aceitas pelos empresários. Elas são um pouco tímidas (sic), mas não deixam de ser início para a diminuição dos altos custos da infraestrutura do Brasil.”
Já o senhor William Marcelo Nicolau, presidente da Assintecal adotou a postura condizente com um bom súdito e declarou: “É claro que buscaremos mais medidas para incrementar a competitividade da indústria de componentes, entretanto, reconhecemos o esforço do governo federal em valorizar a indústria nacional e criar um ambiente favorável aos negócios.”
Merece o destaque o posicionamento do senhor Paulo Skaf, presidente da FIESP, que aparentemente abandonou a postura de um político bonzinho e saiu em defesa da classe: “Infelizmente, a desindustrialização é uma realidade no nosso país que pode comprometer o futuro de milhões de brasileiros. As entidades da indústria e de trabalhadores estão unidas neste grito de alerta. Chega de medidas inúteis, chega de mais do mesmo. Precisamos recolocar o setor produtivo no caminho do crescimento.”
As medidas paliativas são pura demagogia. Medidas cosméticas não vão ao fundo do problema que já foi apontado tantas vezes que se torna até aborrecido em repetir sempre o mesmo tema. Há necessidade de reforma tributária, de desburocratização, de reforma da legislação trabalhista, de corte de despesas do governo para sobrar dinheiro para investimentos em infra-estrutura, em educação e saúde. Para que 37 ministérios com suas legiões de contínuos, auxiliares administrativos, motoristas etc., quando o Reino Unido pode funcionar com sete ministérios? Só o Senado custa 2,7 bilhões de reais por ano, fazendo o que? Para que 50.000 cargos comissionados? Para acomodar a companheirada?
O setor calçadista está em crise. As medidas paliativas como baixar a incidência do ICM não resolvem nada. O Estado de Minas baixou ICM sobre os calçados para 3 % e a crise continua do mesmo tamanho. Perguntem aos colegas empresários de Nova Serrana!
A desoneração de 20 % do INSS pouco representa na formação do preço de venda. Mas como soa bem, como impressiona! 20 % a menos, o preço do calçado vai baixar e vamos reconquistar os mercados externos!
Se levamos em conta que o custo de transporte por um par de calçados de Franca a Santos é superior ao custo de transporte de um par de calçados de Shanghai na China à São Francisco nos Estados Unidos, a reentrada nos mercados externos será difícil. Se o governo não tem condições nem de resolver o contencioso com Argentina? Segundo Heitor Klein, em 6 de março havia 2.853.007 pares esperando a permissão de entrar na Argentina! Como os incentivos vão funcionar? Não vão funcionar. Os dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio indicam que no primeiro trimestre de 2012 foram exportados US$ 294 milhões do valor de calçados, contra US$ 356,7 milhões, ou seja perdas de 17,6 % sobre o ano anterior que já não foi bom.
Resumo: esperar ação do governo, que não tem política industrial definida, será pura perda de tempo. O último governante que definiu política industrial com ajuda do almirante Lúcio Meira, foi Juscelino Kubitschek. Desde esta época que marcou a entrada da indústria automotiva no Brasil, nunca mais houve uma política coerente e construtiva. Resta aos empresários, cada um por si, definir a estratégia de sobrevivência para a sua empresa. Que estratégia é essa? Não precisamos inventar nada. Basta copiar o que fizeram empresas sobreviventes na Itália, Espanha, Portugal, Reino Unido etc.. Podemos fazer o mesmo como já alinhei nas colunas anteriores.
Zdenek Pracuch
21/05/12