NOVAS TECNOLOGIAS
Até pouco tempo atrás considerava-se que o estágio tecnológico na indústria de calçados atingiu um ponto, onde seria bastante difícil trazer alguma inovação tecnológica, que pudesse realmente fazer diferença.
Nesta consideração não se inclui a indústria química que está nos surpreendendo a cada dia, com novos produtos, mais perfeitos e mais adequados às solicitações do mercado. Como exemplo, posso citar a Basf, indústria química alemã, que nos surpreendeu com um novo polímero chamado de Elastopan, que reúne todas as vantagens de elastômeros, como durabilidade e resistência à abrasão, junto com vantagens de polímeros, tais como leveza e facilidade de operação, por ser injetável.
E agora esta consideração anterior, felizmente, está desmentida, pela graça da fábrica alemã Leibrock Maschinenfabrik GmbH que lançou um autômato que com a tecnologia de ponta substitui com vantagem duas operações críticas, que exigem uma mão-de-obra bem treinada e de grande responsabilidade. Trata se da máquina RZ 20 (catálogo aqui) de uma ou duas estações, para um pé ou um par, que opera a asperação do cabedal e a aplicação de cola com absoluta precisão numa fração de tempo, que exigiria a operação manual.
Para esclarecer a importância desta operação temos que levar em conta que nenhum adesivo atualmente em uso pode ser aplicado diretamente sobre a superfície tanto do couro legítimo, como sobre um material sintético qualquer. A camada superior destes materiais deve ser removida através de lixas ou de escovas de arame de aço, para a cola poder ser “ancorada” sobre a base do material e permitir uma adesão permanente.
Trata-se de uma operação bastante delicada sob todos os aspectos, mas o aspecto mais crítico é justamente a parte operacional de mão-de-obra. Qualquer descuido pode significar uma asperação mais profunda afetando a resistência do material e consequente rompimento. Ou na aplicação da cola, cola demais ou cola de menos, com resultados negativos sobre a adesão permanente, sem falar no problema de limpeza, que o excesso de cola, ou a aplicação além do limite, pode ocasionar.
O autômato elimina todos estes problemas, trabalha com cola a base de solventes ou a base d’água que é usada cada vez mais por evitar problemas com a saúdo dos operários. No caso das escovas de aço, que devem ser afiadas de vez em quando, o próprio autômato regula a nova distância em função da diminuição do diâmetro da escova após a afiação.
Como até um leigo pode deduzir, em termos de tecnologia e economia, tanto de mão-de-obra como a solução do problema com a mão-de-obra pouco qualificada, trata-se de um avanço formidável. Não tenho nenhum acanhamento pelo fato de ver desmentida a consideração, que achava correta, sobre o pouco avanço tecnológico na indústria de calçados. Pelo contrário, sinto-me feliz em ver que, de fato, há algo de novo e de importante no desenvolvimento do processo produtivo.
Embora a indústria de calçados alemã tenha praticamente deixado de existir, a engenharia alemã está aqui para atender a indústria global, do mesmo modo como o fazia desde a década dos anos vinte do século passado, quando assumiu a posição que pertencia aos norte-americanos desde os pioneiros Howe com a máquina de costura e coronel Blake com a sua “blaqueadeira” sem esquecer o pioneirismo da United Shoe Machinery Company – USMC, que atendia por décadas indústrias de calçados francanas.
Já disse e escrevi várias vezes que, hoje em dia, com as informações circulando em velocidade eletrônica, já se torna difícil acompanhar os acontecimentos e, muito mais difícil ainda, introduzir ou implantar as novidades tanto tecnológicas com as de gestão de empresas O caso do autômato da Leibrock é típico. Tecnologia existe. A sua aplicação é mais que recomendável. A questão é, quando é que veremos esta máquina funcionando em nossas fábricas.
A queixa sobre a mão-de-obra de pouca qualificação se enquadra nesta situação. Uma das tarefas mais simples na produção dos calçados é a aplicação de cola. Porém, o que mais se vê nos avisos sobre as vagas nas fabricas é - precisa se de coladeira ou passador de cola! Até quando?
Zdenek Pracuch
17/09/12