TERCEIRO MILÊNIO EM GESTÃO JÁ COMEÇOU
PARTE 2
No primeiro artigo desta série me estendi sobre o primeiro dos quatro passos aplicados no gerenciamento das organizações BATA. Para quem não conhece, a organização BATA é atualmente o maior produtor individual de calçados no mundo e cuja fundação remonta a mais de cem anos.
A simples imitação e aplicação dos métodos da organização BATA, já é uma boa garantia do sucesso na gestão. Principalmente na gestão é onde se situa a maior fraqueza das empresas calçadistas brasileiras. O produto, o calçado, suporta comparação com tudo o que de melhor se produz no mundo em calçado de couro, mas quando chegamos a avaliar a qualidade da gestão, o quadro muda drasticamente.
Na BATA o primeiro passo no gerenciamento é PLANEJAR. Fora da BATA este verbo está geralmente mal aplicado e mal entendido. Há empresas onde o planejamento significa transcrever os pedidos nas fichas de produção. Há empresas que não planejam absolutamente nada e tentam sobreviver de qualquer maneira de um dia para o outro. E há empresas onde o planejamento é confundido com a programação.
O segundo passo na gestão BATA, depois de definido o planejamento, como o foi explicado no artigo anterior, é PROGRAMAR. É neste ponto, onde a estratégia se transforma em tática, ou seja, onde as previsões do planejamento, se tornam realidade programável para o terceiro passo, que é o de PRODUZIR.
Como funciona a programação na prática? Estabelecidas as metas pelo planejamento, temos um quadro nítido do que deve ser programado. A programação começa com a programação de compras, que deve levar em conta uma série de vetores tais como existência dos estoques, disponibilidade dos fornecedores, prazos de entrega, complicações de logística e as experiências até esta data acumuladas sobre o desempenho nestes pontos.
Definida a parte da programação de compras, em muitas empresas chamada de setor de suprimentos, passaremos a programação da produção propriamente dita. Novamente há necessidade de definição de vetores que irão determinar a execução dos pedidos. Vetores que representam capacidade da produção de determinados produtos, prazo de entrega prometido, disponibilidade de materiais para produção, disponibilidade de formas na montagem, limitação da capacidade produtiva de certas máquinas chave ou de certas operações, avaliação de tempos disponíveis para trabalho comparados com a disponibilidade de operários em determinados setores e ainda outros condicionadores pela configuração da empresa ou das operações desta.
Como se pode deduzir, programar a produção é uma tarefa complexa, composta de muitas variáveis que, muitas vezes, ou não são do conhecimento do programador ou, simplesmente, nunca foram levantadas. – Só que, infelizmente, da precisão e consciência na execução de programação depende o sucesso e principalmente o CUSTO da produção! Se a programação fosse uma tarefa fácil não poderíamos ter empresas que têm vinte dois ou vinte oito planos diários de produção em giro! Não é fantasia minha. Encontrei empresas assim nos últimos meses de minha atividade. As empresas com oito ou nove planos diários em giro não são exceção, são a regra! Imaginem a metade do faturamento mensal passeando pela fábrica!
Quem tem certa familiaridade com o chão da fábrica sabe muito bem o que oito ou nove planos em giro representam em fichas perdidas, re-trabalho, pedidos incompletos, atrasos na entrega e assim por diante. Em outras palavras – o que representam de prejuízo!
É isso que causa a falta de uma programação eficiente. Numa hora destas, onde a indústria de calçados está acuada por todos os lados, produzir com economia e evitar prejuízos é um mandamento que garante a sobrevivência.
Vamos recapitular? Primeiro passo é PLANEJAR. Com realismo, esquecer as vaidades, não sonhar de olhos abertos e planejar o futuro com os dois pés firmemente plantados no chão. Uma vez definido o planejamento em termos globais, planejaremos detalhadamente levando em conta as possibilidades reais do mercado e a nossa capacidade produtiva para atender esta demanda.
É óbvio, que deverão ser estabelecidas as metas e que estas metas serão cobradas dos responsáveis com todo rigor. – Superada esta fase, passaremos a execução dela e aí que começa o passo de PROGRAMAR, que foi descrito com bastantes pormenores neste artigo.
Nunca é demais repetir: Apreendemos a fazer calçado de nível mundial. Resta agora elevar a qualidade da gestão das empresas a este nível também. E o caminho mais rápido e fácil que nos levará até lá é imitar aquilo o que os outros, bem sucedidos, já fazem há dezenas de anos.
Zdenek Pracuch