ANO NOVO - MÉTODOS VELHOS?

Viramos a folhinha, trocamos de agenda e não aconteceu mais nada?

O ano novo continua com a cara do ano velho, aparentemente e, na realidade, nada mudou. Continuamos com os velhos hábitos, com os velhos sistemas de trabalho e a vida continua na mesma a despeito de todas as festas e comemorações da passagem do ano.

Pode ser que algumas resoluções tomadas na emoção da passagem que “a partir do ano que vem ... “ ainda começam a ser aplicadas, mas a experiência é desoladora. Duram tanto quanto as chuvas de verão.

Os hábitos e costumes enraizados e obsoletos não só matam. Matam com perversidade. As pessoas ficam tão influenciadas pelo tempo de prática e do uso, que não se dão conta de como ficaram fora da realidade e como o mundo em torno delas mudou. Na língua alemã até existe uma palavra que exprime este estado de coisas: Betriebsblindheit – em tradução livre algo como “cegueira da empresa”. Ou seja, de tanto ver as coisas usuais e habituar se a elas, a pessoa não as vê mais.

E isso se aplica principalmente aos métodos da gestão praticados durante anos, onde a pessoa gestora se sente segura e continua praticando os mesmos procedimentos, sem se dar conta de como o mundo ao redor dela já mudou.

A gestão moderna não se resume a produzir, vender, faturar, descontar as duplicatas e pagar as contas em dia. A gestão nos tempos atuais exige muito mais! A maior prova desta afirmação é a acentuada mortandade das empresas, consideradas conceituadas e sólidas. Não há necessidade de citar os nomes. Estão na boca de todo mundo.

A vida dinâmica do mundo globalizado exige controles firmes, imediatos e precisos, que por sua vez exigem ações corretivas aplicadas com rapidez e precisa concentração nos alvos. Por exemplo, quando procuro saber resultados econômicos e financeiros dos períodos imediatamente anteriores (semana, mês, trimestre) geralmente recebo como resposta – não sei! E quando se trata do contador, recebo uma tonelada de dados de liquidez, de títulos a pagar, títulos a receber, duplicatas descontadas etc. e quando insisto nos resultados, recebo como resposta – só fazendo balanço!

No terceiro milênio? Me perdoem, mas desta maneira não dá. Porque não param um instante com pensamentos rotineiros e pensem numa gestão atualizada, moderna? Um pequeno exemplo: se na planilha de custos o lucro é fixado em 15% (o que por si mesmo já é método obsoleto de cálculo), porque é que no balanço final aparecem somente 4 ou 5 % de lucro real? Não falo dos balanços fantasiosos para o Fisco ver. Falo dos balanços reais. Aonde foi parar a diferença? Que gestão é essa? Gestão na base do “acho que ...”?

A boa gestão começa pela boa compra. Quantas empresas têm um departamento de compras funcional ou pelo menos um comprador profissional? Comprar bem não significa pechinchar no preço, mas conseguir material de primeira, por preço razoável com boas condições de pagamento. – Quantas empresas começam perder o dinheiro já na recepção de materiais não possuindo máquina de medir as peles ou balança para pesar latas de cola ou pacotes de linhas, que podem ser entregues com diferença de metragem ou de peso? E compram mil latas de cola por ano sem conferir o peso!

E por aí vai. A gestão precária começa na criação de coleções que por si, também, já são resquícios de uma época ultrapassada. Até os lançamentos já obedecem um outro ritmo. Mas não é só isso. Design feito sem nenhuma preocupação com a economicidade de modelos, sem nenhuma preocupação com o processo produtivo, sem nenhuma preocupação com a competitividade do produto no mercado. Onde fica a gestão?

Desperdícios no corte, que começam com aplicação de coeficientes irreais e terminam na pouca capacidade técnica dos cortadores, desperdícios com pessoal e altos índices de ociosidade, desperdícios de energia, com luzes iluminando corredores vazios, com máquinas ligadas sem trabalhar, terminais de computadores mandando mensagens de uma mesa para outra na mesma sala – preciso demonstrar mais?

Todos estes exemplos que poderiam ser ampliados ainda muito mais, já estão analisados em várias empresas onde foram implantados sistemas de controle e de racionalização dos trabalhos. Ao ponto de, para ir acostumando com o novo método, dirigi a implantação para fechamentos mensais, mas a pedido, dos próprios empresários, não demorou muito e implantamos períodos de aferição de resultados econômicos e financeiros semanais. Porque os próprios empresários descobriram que, para tomadas de ações corretivas, em determinadas ocasiões até uma semana pode ser um período longo!

Nunca é demais observar que o tempo é a única commodity que não pode ser comprada e que é tradicionalmente escassa. Gente, vivemos no terceiro milênio com velocidades medidas em nanosegundos. Vamos agir de acordo? Com os métodos de trabalho condizentes com os tempos em que vivemos?

Zdenek Pracuch