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MUDANÇA DE MENTALIDADE. A entrevista feita pelos jornalistas Priscilla e Pablo do Comércio da Franca, por ocasião da última Francal, repercutiu, como não podia deixar de ser, em parte positivamente e em parte negativamente. Não foi pela primeira vez que toquei nas feridas abertas da indústria de calçados e, com certeza, não o foi pela última vez. Mas desta vez, quem sentiu mais foram os donos de empresas, das empresas acomodadas, obsoletas e que têm medo do desconhecido. Medo de mudar. Quando foi publicado neste site um questionário sobre a capacitação empresarial das indústrias de calçados com vista aos tempos de crise que se aproximam, o dono de uma empresa importante de Birigui confessou com sinceridade: “Imprimi o questionário e comecei a responder fazendo as cruzinhas e depois de, talvez, décimo “não” fiquei com raiva, rasguei e joguei no lixo. – Mas não adianta, Você tem razão! Falta muito para sermos competitivos!” Exemplos reais da pouca competitividade não faltam. Basta fazer uma anâlise superficial da atuação na maior parte das empresas: Cálculo de custo e de formação de preço de venda feito por métodos ultrapassados. Cálculos de consumo de material feitos pelos métodos mais do que obsoletos, são ainda usados pelas indústrias de porte, quando não serviriam nem ao sapateiro da esquina. Falta de acompanhamento de resultados econômicos da empresa em períodos pré-definidos e curtos, resultados estes sempre confundidos com fluxo de caixa. Absoluta falta de controle do capital de giro – e estes poucos exemplos foram levantados somente na administração, na gestão! O que dizer da informática, que em vez de simplificar complicou a administração. Encheu a fábrica de terminais, (que são usados mais para chat e Orkut), criou novos postos de trabalho, gasta montanhas de papel e com que resultado? Praticamente nenhum, porque não acrescentou nada àquilo o que já era feito nas empresas bem organizadas antes da era dos computadores. – Sim, um benefício trousse. Hoje, qualquer erro pode ser atribuído ao sistema, ao programa. Antigamente a culpa era da pessoa que fazia o trabalho. E na produção? A partir da modelagem dispendiosa que não tem a mínima preocupação com a economia de materiais e a racionalização de operações até o absurdo de terceirização dos pespontos. Um cálculo dos mais elementares pode demonstrar os prejuízos decorrentes da logística dispendiosa, dos atrasos na entrega, a falta de qualidade e consequete re-trabalho e custo adicional. Sem falar do fato, que se a empresa trabalha com 10 bancadas, tem e paga, de fato, dez encarregados, quando debaixo do mesmo teto poderia trabalhar com um só? E a espada de Damocles dos direitos trabalhistas mal definidos, pendurada num fio sobre a cabeça do empresário? Quando disse na entrevista concedida aos jornalistas Priscilla e Pablo, que a gestão da maior parte das empresas era calamitosa, falei baseado nos fatos. Adorarei se alguém puder comprovar que estou errado, falando sobre a maioria das empresas. – Quando disse que está em cima da hora para mudar de mentalidade ainda não sabia que o governo iria prorrogar o auxílio aos desempregados na indústria de calçados (3.8.07) que já passam de 85.000 (Band News do mesmo dia). Não fazia idéia que a situação já chegou a este ponto. O que mais pode ser dito? Zdenek Pracuch |
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