QUANTO SERÁ QUE É O MEU LUCRO ?

Graças a Deus, sobrevivemos á mais uma Francal. Entre mortos e feridos salvamos nos todos. Porque dou graças a Deus que sobrevivi à Feira, se não tenho fábrica e nem sou comprador de calçados? Não compro nem para mim, já que sempre algum amigo me oferece um par para “testar”.

Mas, sofro bastante com as Feiras. Invariavelmente, antes de cada Feira aparecem numerosos convites para visitar as indústrias, discutir os preços de venda e verificar os cálculos. Na mente dos fabricantes existe sempre uma dúvida atroz. Será que meu cálculo de custos está correto? Será que não cometi algum engano e estou jogando fora o meu produto, ou pelo menos empatando com o preço que calculei?

Pracuch, venha e dê uma olhada! Depois de anos e anos da mesma rotina a gente até que acostuma. O duro é agüentar sempre os mesmos enganos e manter sempre as mesmas discussões. Que não mudam. Como não muda o modo arcaico, desde o tempo das caravelas, de formular o preço de venda. Enfim, como também não muda mentalidade dos donos de empresas.

Vejo cada planilha de custos, que é um exercício de aritmética, com um preço definido e infinitas variáveis em porcentagens de impostos, de comissões, de descontos, de prazos de pagamentos e o que menos se deduz é, quanto a fábrica, afinal, vai ganhar. (Se é que vai ganhar!). Planilhas complicadas, cheias de variáveis e que nunca refletem aquilo o que depois aparece no balanço geral.

Depois que o Peter F. Drucker lançou em 1998 Management Challenges for the 21st Century e virou de pernas para o ar o conceito de formação de custos e de lucratividade, parei de dar cursos de Cálculo de custos e de formação de preço de venda e a todos que me mostram o livro que escrevi sobre o assunto, aconselho arrancar e jogar fora todas as páginas da segunda metade do livro, porque nada disso vale mais – depois do Drucker ter publicado suas idéias. Quais são estas idéias?

Podem ser sintetizadas em duas frases simples:
1 - O lucro não é uma percentagem hipotética sobre um faturamento hipotético,
2 - O lucro faz parte do custo como um insumo qualquer. Simples não é?

Mas experimentem pôr isso em prática. A simples definição daquilo o que é lucro já traz embutido um pequeno problema. Um empresário, dos maiores, de Nova Serrana, quis implantar o novo método e quando perguntei a ele, quanto pretende ganhar em 2005 me respondeu “o quanto mais for possível!” Perfeito, respondi – como filosofia de negócio, isso não pode ser diferente. Mas este “quanto mais possível será de quinhentos reais ou quinhentos MIL reais?” A resposta foi um silencio pensativo – “acredita que nunca tinha pensado nisso assim?"

Pois é. Quantos dos nossos empresários nunca tinham pensado nisso? O planejamento abrange tudo, até a lucratividade da empresa. Até o lucro tem que ser planejado e pré-estabelecido, se não por outro motivo, para aferir o desempenho da empresa no decorrer do ano. Fazer isso só com o balanço no fim do ano pode ser tarde.

Mas, como disse acima, Francal já se foi e a Couromoda ainda vai demorar, então há bastante tempo para recuperar o equilíbrio emocional ante os novos convites: “passe lá na fábrica queria, que Você desse uma olhada nos preços!”.

Zdenek Pracuch