ONDE ESTÁ O MEU LUCRO?!!
Há dias passei por uma situação divertida para mim, mas bastante triste para o empresário envolvido. Depois de ensinar a uma sua funcionária como fazer a contabilidade de resultados, fizemos acompanhamento dos primeiros quatro meses do ano, para testar o método e para ter certeza de que este foi entendido e aprendido.
Terminados os cálculos veio a surpresa: o empresário, de fato, nos primeiros quatro meses do ano pagou para trabalhar! Em números redondos podemos dizer que para um faturamento de dois milhões de reais, a empresa apresentou um resultado de menos de vinte mil reais de lucro. Ou seja, um por cento sobre o faturamento. Bastaria um cliente deixar de pagar uma fatura pequena, por qualquer motivo, e a empresa teria trabalhado quatro meses de graça!!!
Não preciso descrever como este empresário recebeu a triste notícia. Quis me pedir explicações ao que retruquei que ele deve explicar a mim o modo como está gerenciando a empresa! – Não pensem, que esta é uma situação excepcional. É uma situação bastante comum, porque os escritórios de contabilidade terceirizada se preocupam, para que não haja estouro de caixa e que as obrigações trabalhistas e os recolhimentos estejam em dia, pouca atenção dando à situação econômica das empresas das quais cuidam.
E mesmo se quisessem, as empresas não tem condições de fornecer os dados necessários para formular o quadro da situação econômica, da lucratividade ou não, do empreendimento. Não que isso fosse alguma coisa do outro mundo mas, simplesmente, não sabem fazer. Tenho comprovado, que o método pode ser ensinado em poucas horas de trabalho e introduzido instantaneamente na empresa.
Fica a pergunta: como um empresário pode gerir uma empresa, não sabendo se esta proporciona lucro ou prejuízo e em quanto estes podem montar. O fluxo de caixa é importante para se acompanhar, mas pouco ou nada nos diz sobre a situação econômica. Afinal, estou ganhando ou perdendo? Quanto e por que?
Saber fazer o cálculo de custos é outro ponto fraco das empresas. O método usado remonta ao tempo das caravelas. O mundo hoje calcula de um modo muito diferente e eficaz. O saudoso Peter Drucker indicou o caminho e os empresários modernos o seguem com entusiasmo. Definiu e separou o lucro como lucro administrado e lucro eventual.
O lucro administrado faz parte do cálculo de custo igual a qualquer insumo. O lucro eventual é resultado da avaliação do mercado, da posição do nosso produto em comparação com a concorrência e pode variar, ou pode não existir.
Mas o lucro administrado é sagrado. Este existe e não pode ser manipulado.
É gozado observar como as empresas formam a planilha de custo e incluem o que chamam de “gordurinhas”. Uns centavos a mais aqui, uma porcentagem inventada ali, um valor para amortização, um valor para “desenvolvimento” de modelagem e de matrizes e assim por diante. Fantasias. Em compensação não há previsão para re-trabalho, para defeitos, para devoluções.
O que vale um cálculo de custos deste tipo? A quem querem enganar? A si mesmos enchendo o cálculo de “gordurinhas”? Que só encarecem o produto e tiram a certeza de quanto, de fato, o produto custa, porque vão viver na ilusão das despesas que não são despesas e que deveriam representar um lucro extra.
Aconselho aos meus clientes para daremr um passo adiante do método de Peter Drucker: já que o lucro administrado deve ser tratado como um insumo qualquer, que seja tratado assim também com o pagamento, como se fosse um insumo qualquer. Ou seja: se pago matéria-prima, colas, linhas ou embalagens, porque não abrir uma conta e depositar o lucro administrado (e calculado) sobre cada par que foi vendido? Como se fosse pagamento a um fornecedor?
O lucro eventual ficará para os efeitos da escrituração, para o balanço final, mas o lucro administrado é um lucro calculado, definido e tem dono. Do mesmo modo, como tem dono o custo dos insumos ou de matérias-primas. Com a nova legislação do super-simples, podem ser abertas tantas empresas quantas forem necessárias para se tornarem fornecedoras, e haja lucros!
São poucos os empresários que se dão conta de como está mudando o ambiente de negócios nos últimos anos. Poucos são os que acompanham a evolução na ciência de gestão e tentam manter o passo junto. Estes poucos têm real chance de se sair bem. Quanto aos acomodados – os que seguem a filosofia do deixe estar para ver como fica – pode-se contribuir para uma instituição de caridade em nome dos finados, no lugar de mandar coroas de flores.
Zdenek Pracuch