LONGEVIDADE DAS ORGANIZAÇÕES
Há uma preocupação cada vez maior sobre a longevidade de organizações. As mortes súbitas de organizações, que pareciam uns rochedos de solidez, abalaram tanto o mundo financeiro, como os conceitos dos investidores e o assunto está se tornando cada vez mais objeto de estudo das maiores universidades do mundo.
Refiro-me às grandes organizações, multinacionais, dos mais diversos ramos de atividades. Mas, a indústria de calçados não constitui nenhuma exceção. Temos presenciado nos últimos anos, a queda de verdadeiros totens, de verdadeiros paradigmas do mundo calçadista. O que deu errado? O que foi desprezado? O que poderia ser feito ou o que não deveria ter sido feito?
Autores como Jim Collins e Jerry Porras ou a equipe específica da Royal Dutch-Shell se debruçaram sobre o problema e identificaram vários componentes, aplicáveis tanto às empresas com dezenas de milhares de colaboradores, como às empresas pequenas, que estão lutando para conseguir o seu lugar ao sol. E se alguém ainda tiver dúvida sobre a aplicação dos conceitos, basta citar a Bata Shoe Organization, nascida na ex-Tchecoslovaquia, quando o país ainda fazia parte do Império Austro-húngaro, em 1894 e hoje com sede em Toronto, Canadá, depois de ter sido confiscada em 1946 pelo governo comunista apoiado pela União Soviética de pouco saudosa memória.
Sem estudos profundos, talvez intuitivamente, a Bata aplicava durante os mais de cem anos de vida os preceitos preconizados pelos gurus de management de hoje. Em questão de longevidade a Bata só se compara com a General Electric, que hoje conta com 118 anos de atividade contínua. Serve de exemplo, quando pelos estudos dos holandeses da Shell a estimativa de vida média de empresas é de 40 a 50 anos. Na lista de 500 maiores empresas da revista Fortune publicada anualmente, dos nomes publicados em 1970 um terço havia desaparecido em 1983.
Qual é o segredo da longevidade das empresas que, aparentemente com a idade, tornam-se mais resistentes e sólidas? Os gurus apontam alguns pontos que devem ser seguidos, ou pelo menos observados. O primeiro deles é uma adaptação às situações que cíclicamente se apresentam. Altos e baixos fazem parte da vida tanto dos indivíduos como das empresas. Reagir a estas situações com medidas excessivas pode ser muito arriscado. A melhor atitude sempre foi imitar a natureza. Procurar abrigo até a borrasca passar. E logo depois, adaptar se a nova situação. No momento poderíamos citar a globalização e a queda das fronteiras como fatores desestabilizadores.
Segundo ponto, muito pouco observado e, na nossa indústria de calçados a não observação é quase regra, é o da constante renovação. Novas tecnologias, novos materiais, novos conceitos de saúde, novos métodos de comercialização – quanta motivação para sair da acomodação e da obsolescência! Mas quantos a praticam?
Tudo isso pode assustar. Mas não é nada demais. O terceiro ponto é a pura aplicação de bom senso com uma pitada de curiosidade e de observação. Sair das rotinas, sair da trilha batida e procurar novos caminhos, novos desafios, brechas no mercado. Já ouviram falar do Akiro Morita? Pois então.
Cultivar os talentos é o quarto ponto. Estamos cercados de talentos, de gente que se sente a vontade no terceiro milênio, gente que nasceu dentro de um automóvel, que não conheceu o mundo sem televisão, que antes de apreender a ler e escrever já sabia operar um computador! Estas pessoas têm outra visão do mundo, da vida e podem nos mostrar o caminho de como nos conduzir dentro do novo mundo deles. Nossa tarefa principal é promover o treinamento deles, proporcionar o desenvolvimento e confiar as novas tarefas para elas executarem. O nosso egoísmo e orgulho podem sofrer com isso, mas quanto mais cedo vamos entender o problema, melhor para nos e para as nossas empresas.
E o último ponto, recomendado pelos estudiosos é forte foco no futuro. O dia de hoje foi o futuro de ontem. Estivemos preparados adequadamente para viver o dia de hoje? O dia de hoje nos pegou de surpresa? Ficamos sem saber como agir? Nunca antes a informação tinha tamanha importância. Informação é o poder. Esta verdade foi dita pelo senhor Wiener quando rodou a primeira fita magnética no Univac na pré-história da informática. Há setenta anos atrás.
A frase de que “o aprendizado é o capital do futuro” é frase pétrea que vai orientar as empresas para sobrevivência e longevidade. Uma empresa eficiente será aquela que é capaz de apreender de forma eficiente. Lucro não é mais sinônimo de longevidade. Lucro é muito importante, mas é só um componente de um leque de requisitos para se organizar uma empresa sólida, sadia e longeva.
Como podemos ver, há bastante a ser considerado para podermos ter, para organizar ou para se trabalhar numa empresa, que sobreviverá por dezenas de anos. Exemplos tanto positivos como negativos não faltam. Qual é o rumo que Você vai seguir?
Zdenek Pracuch
17/01/11