PROBLEMAS COM LOGISTICA
Logística é uma parte delicada de qualquer empreendimento. Por mais estranho que pode parecer, na indústria de calçados a logística tanto interna como externa pode representar a diferença entre uma empresa bem sucedida e uma empresa capengando.
O termo logística, que explicado em linguagem coloquial, quer dizer algo como ter as devidas coisas no devido lugar no tempo devido, foi trazido e aplicado da área militar para a área empresarial. Foi devido às expectativas erradas, otimistas, e sobreestimando a capacidade de organização que, talvez, hoje o mundo não tenha sido dominado pelo nazismo e fascismo. Porque a derrota de Hitler e dos seus exércitos, até então invencíveis, começou na Rússia, com suas distâncias enormes, com a sua falta de estradas tanto de rodovias como de ferrovias, onde seu exército atolou surpreendido pelo rigor do inverno russo, dando assim tempo a Stalin de reorganizar a defesa e no fim derrotar Hitler. Em outras palavras, foi a logística que falhou e deixou o exército sem suprimentos, munição e combustível!
Numa empresa temos dois tipos de logística a observar – a externa e a interna. As duas mal conduzidas podem ser fontes de despesas e de prejuízos diretos. A logística externa refere-se aos suprimentos para manter a produção fluida, sem interrupções por falta de material ou de componentes. Depende muito da experiência do comprador, para calcular uma margem de segurança no transporte, principalmente com os fornecedores de outros Estados. A confiabilidade nos prazos de entrega é outro componente crítico. A melhor maneira de evitar panes é a velha máxima: “só se programa para produção o que está contado e conferido na prateleira”.
A logística interna, coitada, tão desprezada e mal compreendida é um capitulo triste na gestão das empresas. Quando temos empresas, até no interior de Minas, nas localidades onde não existia, até há pouco tempo, nenhuma indústria, que hoje produzem um calçado acabado em uma hora e quarenta minutos, ainda temos empresas em Franca, por exemplo, que tem em aberto vinte a trinta planos diários de produção! Hoje, com crédito escasso e necessidade urgente de desmobilizar capital de giro! Ainda temos muitas empresas que tem o valor de um faturamento mensal descansando no chão da fábrica!
Volta e meia encontro consultores na sua maioria gaúchos, cuja primeira preocupação é com lay-out (ou leiauti) da fabrica. Que se resume em pintar faixas amarelas, ou colar fitas adesivas amarelas para delimitar corredores. Nada contra o lay-out lógico que vai proporcionar a economia no transporte e na movimentação da mercadoria em processamento. Mas delimitar corredor, para fazer espaço à montanhas de caixas com cortes ou cabedais esperando serem manipulados é no mínimo um contra senso.
O que deve ser eliminado é o excesso de material em produção e não ainda reservar um espaço específico para este material ser guardado. Toda vez, que alguém pega numa caixa para levá-la a outro lugar ou operação, estamos pagando pelo trabalho que não acrescenta um milésimo de Real ao valor do produto. Esta deveria ser a preocupação: organizar o fluxo interno, ou seja, uma logística lógica e econômica para pagar o trabalho real e não a movimentação de cargas.
Para que temos esteiras transportadoras? Para levar o trabalho às mãos de mão-de-obra sem que esta precise se movimentar. Analisem, cronometrem e pensem! Quanto esforço e quantos recursos gastos sem necessidade e sem proveito!
Uma logística bem elaborada apoiada numa programação tecnicamente perfeita elimina completamente as famosas “frentes” do corte para o pesponto, do pesponto para a montagem, quando não há maior complicador ainda como silk-screen ou alta freqüência ou máquinas de bordar.
Cálculo de custo sempre foi um ponto fraco na gestão das empresas calçadistas. Por isso não estranho, que pouquíssimos empresários já se deram conta do custo destes desperdícios invisíveis. Mas muitas vezes aí está a resposta, de como uma empresa consegue custos bem mais favoráveis que a outra do mesmo tamanho, com artigo praticamente igual. É na maneira de como é organizada a movimentação interna de cargas, a logística dentro da empresa, aliada a uma programação e importante(!) controle de produção, para evitar excesso de material em giro. Todas as empresas têm PCP, mas quase ninguém pratica. Nem o P do Planejamento, que deveria ser denominado Programação e CP de Controle de Produção que ninguém pratica. No fim do dia vem o encarregado da fábrica para dizer “quanto saiu hoje”! Quando estes dados deveriam ser monitorados de hora em hora para tomada de ações corretivas. - Mas não podemos perder esperança. Quem sabe, ainda teremos tempo de apreender.
Zdenek Pracuch