FÁBRICAS DE CALÇADOS OU DE JISTIFICATIVAS?

A hora é de atualização de procedimentos técnicos, de racionalização, de adoção de modernas técnicas de gestão para ficarmos competitivos com as brilhantes mentes dos nossos concorrentes globais, assistidos pelos melhores técnicos e experts disponíveis no mercado mundial de trabalho.

Sejamos justos – há entre os empresários alguns realmente empenhados para acompanhar a modernidade e permanecer competitivos. Infelizmente, ainda é uma minoria. A grande maioria dos empresários está acomodada, dizendo que a presente crise passará como passaram as outras, que “este filme já foi visto outras vezes” e ficam esperando por um milagre, que irá substituir o trabalho árduo por intervenção divina ou pelo menos pela intervenção do “Nosso Guia”.

Esta acomodação e passividade custarão muito caro. O que é triste nesta história é que, quem pagará este preço caro da imprevidência e da acomodação é a massa dos trabalhadores, que não tem como se defender das circunstâncias completamente alheias à sua atuação. Como sempre na vida, os soldados rasos pagarão pela incapacidade dos generais.

Acompanho este desenrolar pelo dever do ofício e, onde posso, alerto e mostro o que falta para ter pelo menos alguma expectativa do sucesso no embate que está se formando no horizonte. Geralmente a reação é do tipo:

- Para que mudar se sempre deu certo?

- Para que mudar se todo mundo faz a mesma coisa, do mesmo modo?

- Quem me garante que, mudando, sairei ganhando nesta situação? Tenho vinte e sete anos de experiência e sei o que estou fazendo!

O estudioso de gestão e de comportamento humano, professor Jeffrey Pffefers da Stanford University tem uma opinião lapidar sobre estes argumentos: "Se a pessoa diz que tem vinte anos de experiência isso, geralmente, significa que a pessoa tem UM ANO de experiência repetida VINTE VEZES, porque as condições o permitiram".

Temos que prestar atenção sobre um pequeno detalhe só: nestes vinte anos o mundo mudou e está mudando com uma velocidade cada vez maior. Sempre digo, que já está se tornando difícil acompanhar as mudanças dos mercados, mudanças tecnológicas, mudanças de técnicas de gestão – o que dizer, então, em adotar e praticá-las? O que é ainda muito mais difícil, com a mentalidade reinante de - para que mexer, se sempre deu certo?

Para qualquer mudança sugerida sempre vem uma justificativa, com argumentação quase zangada: sempre fizemos assim!! Para as maiores barbaridades gerenciais ou técnicas sempre há uma justificativa inatacável. Tudo se justifica e qualquer sugestão de mudança, para mudança comprovadamente melhor, encontra justificativas de porque não podem ser adotadas ou introduzidas.

Justificativas que não justificam nada a não ser o fato, que as pessoas não querem crescer, não querem mudar, não querem progredir. Para que mexer, estava tudo tão bom e todo mundo sabia como e o que devia fazer. E, de repente alguém quer nos forçar a aprender novas técnicas, nova maneira de trabalhar? Para que mudar se já funciona há tanto tempo!

De todas as justificativas sempre apresentadas contra qualquer idéia de modernização e aperfeiçoamento, deveria existir uma só justificativa – mudar para melhorar (e), para sobreviver. Todas as outras justificativas, que tentam mascarar a acomodação e a preguiça de entrar num mundo novo, num mundo de competitividade acirrada e sem misericórdia, deveriam ser combatidas a ferro e fogo. E quanto mais alto o nível dos dirigentes que resistem às inovações, mais drásticas deveriam ser as medidas tomadas contra os renitentes.

Àqueles que não se conseguirem adaptar aos novos tempos, só restará procurar uma justificativa plausível, a última justificativa, para o fato, de porque fecharam as suas empresas.

Zdenek Pracuch

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