INFORMÁTICA COMO DESCULPA.

Pertenço a geração que nasceu e trabalhou quase a vida toda sem sequer suspeitar da possibilidade da cibernética. Quando na década dos quarenta do século passado prof. Wiener e colegas puseram em funcionamento o monstro que ocupava duas salas, cheias de válvulas, sistema de refrigeração que daria para um edifício médio e tinha capacidade de processamento menor que qualquer lap-top de hoje, chamado UNIVAC, ninguém fazia idéia até que ponto esta invenção ia influenciar as nossas vidas.

Hoje, as crianças nas creches já brincam com jogos eletrônicos, computadores invadem as escolas e a economia ou as fábricas de hoje são impensáveis sem os computadores.

Nalguns pontos facilitaram a vida, nalguns pontos ficou na promessa e em alguns pontos trouxeram complicações, porque o pessoal desaprendeu a pensar e espera que o programa ou sistema vai pensar por eles.

Implanto o planejamento em várias indústrias. Qualquer dificuldade que surge e, quando se implanta planejamento surgem muitas, o pessoal sempre tem uma desculpa á mão: o sistema não previu isso ou este programa não foi preparado para isso! Meu Deus – planejamento não depende do computador, nem do sistema, nem do programa! Planejamento depende do cérebro do planejador e este foi programado há milênios para pensar.

Porque conseguíamos planejar há oitenta anos atrás, com absoluta perfeição e com princípios que prevalecem até hoje, se não tínhamos nem máquinas de calcular eletrônicas!? Tínhamos as calculadoras mecânicas, de manivela e tudo funcionou. Nem sonhávamos com computadores e com a espantosa velocidade que nos proporcionam.

Será que os jovens de hoje desaprenderam a pensar? Será que, se opero o teclado e o resultado não sai, é problema do programa ou de quem não sabe usar a cabeça?

Temos uma grande dificuldade semântica de comunicação entre os usuários dos programas e entre o pessoal da informática. Só raramente os usuários conseguem transmitir aos analistas as necessidades reais que esperam que o programa possa resolver. Esta falta de compreensão pode ser fatal.

O fato colocado de uma maneira simples é o seguinte: Tudo o que o computador faz, posso fazer com lápis e papel a mão, bem mais devagar, é óbvio. Mas nem tudo o que eu posso idealizar e fazer com papel e lápis a mão o computador pode fazer. Partindo deste princípio, a desculpa que o sistema não funciona deixa de valer.

O que não funcionou era a comunicação entre usuário e programador, ou o analista de sistemas não foi capaz criar um programa adequado. Tão simples assim.

Os computadores estão ocupando cada vez maior espaço nas nossas vidas. Vieram para facilitar a vida, para sobrar mais tempo para lazer, para cultura, para leituras educativas e outras utopias. O que se vê na realidade é a vida cada vez mais corrida, com menos tempo, para nada, com minicomputadores embutidos nos celulares, nos perseguindo vinte e quatro horas por dia, até nos momentos de maior intimidade.

Tornamo-nos escravos destas maquininhas infernais. Mas isso não quer dizer que elas devem servir de desculpa para nossa incapacidade de resolver os problemas quando elas faltam ou falham. O mundo funcionou bem, muito bem, quando não tínhamos noção sobre elas e nem sentiamos falta delas. Não será hoje, que serão o bode expiatório, da nossa falta da capacidade ou de imaginação.

Em tempo: este artigo foi digitado num lap-top mas, por princípio, não uso o telefone celular.

Zdenek Pracuch