IMPREVISIBILIDADE

Estamos nos encaminhando para um período de imprevisibilidade e de grandes mudanças. Esta imprevisibilidade, podemos afirmar com alguma certeza, poderá prevalecer por longo tempo, talvez até o fim da vida produtiva dos atuais empresários.

Qual é a saída deste cenário caótico? Podemos citar o vitorioso general Dwight Eisenhower, grande estrategista militar que levou os exércitos aliados à vitória sobre o nazismo e fascismo na Segunda Guerra Mundial. A frase dele, sempre repetida e respeitada foi: “Planejamento é imprescindível. Planos são inúteis.”

Contradição aparente? Absolutamente. Analisemos o que quer dizer o termo planejamento. Planejar é definir a disciplina a ser seguida no pior dos cenários, em meio ao caos e rastrear as ameaças ao bom funcionamento do empreendimento. Os planos, por sua vez, dificilmente sairão do papel, tal qual foram planejados, porque os planos são detalhados e minuciosos e qualquer interferência os inutiliza.

Nas empresas de calçados temos o exemplo clássico no desencontro entre planejamento de vendas e da programação de produção. Os vendedores costumam planejar em largas pinceladas, enquanto os programadores estão presos aos detalhes impostos pela produção. Esta discrepância está presente no dia-a-dia de qualquer empresa e ilustra claramente a diferença entre planejar e planos de ação.

As palavras do general Eisenhower definem claramente esta diferença. Planejar é ato de estratégia, tal como ocupar um território ou bastião inimigo. Plano de ação é definir qual é o batalhão que vai atacar e quantas peças de artilharia darão apoio.

Fazer plano de ação é fácil, desde que os objetivos sejam definidos. O planejamento é muito mais difícil, porque esta equação está cheia de incógnitas e o empresário afogado nos afazeres do dia, não tem meios, nem a cabeça fria para se dedicar à análise dos fatos importantes que estão ocorrendo na vida econômica global e nacional, sem falar sobre o mercado e moda para visualizar o rumo para o qual deve se orientar.

Estamos afogados num “tsunami” de informações. Informações das mais conflitantes, dependendo de quem as fornece. Há os otimistas de plantão, cujo expoente máximo é o Ministro da Fazenda, que até hoje não acertou uma única previsão. E há os catastrofistas como o economista Nouriel Roubini que, infelizmente, ultimamente tem acertado todas as previsões.

Onde o nosso empresário irá colher as informações? Nas rodinhas com colegas no Clube do Campo? Nas panelinhas dos Sindicatos? Onde raramente se ouve a verdade, porque a natureza humana, ou melhor, o orgulho não permite  confessar que estou com a água até o pescoço. Pelo contrário, a reunião até parece um campeonato de quem vai contar vantagem maior .

O guru dos empresários que hoje está em maior evidência, Jim Collins tem alguns conselhos a dar aos empresários que irão enfrentar o caos que está se aproximando. Diz Collins: “uma das maneiras mais comuns de as empresas terem maus resultados é perseguir o crescimento ilimitado. O crescimento em si não é mau, mas é preciso controlá-lo.

Diz mais o Jim Collins: ”Manter o mesmo ritmo impede que a empresa ceda à tentação de avançar demais quando o mercado está bom. E assim esteja preparada para ter bons resultados diante de reveses. Empresas com piores resultados em geral são erráticas. Sem disciplina em tempos bons, pagam o preço quando as dificuldades chegam.

Estas, em termos gerais, são idéias para conseguir manter o leme na direção do rumo previamente traçado. É óbvio, que cada empresa tem as suas peculiaridades, produtos diferentes, equipamentos diferenciados, mão-de-obra mais ou menos qualificada, gestão financeira responsável ou nem tanto, enfim as variáveis são muitas. Mas as regras de comportamento em tempos difíceis se resumem em planejamento e disciplina.

Nunca é demais de frisar como a personalidade e caráter do dirigente supremo é o fator dos mais importantes para o sucesso ou fracasso de um empreendimento. E isto vale em importância ainda maior paras pequenas e médias empresas. Um dirigente autoritário do tipo “sabe tudo” é o pior que uma empresa pode possuir para vencer uma crise ou uma situação difícil.

Nunca foi tão importante ter um dialogo franco com os colaboradores, bem como ter humildade de ouvir sugestões e opiniões daqueles que nos cercam. Do mesmo modo como o empresário se comunica com os colegas, o funcionário também tem um círculo  de amizades e, não se iludam, embora estejam em posições inferiores, têm os seus juízos próprios. Com as observações trocadas com colegas de outras empresas podem ser um terreno fértil para novas idéias.

A imprevisibilidade tira sono de qualquer  pessoa. Menos daquelas que sabem que não podem avaliar o que virá, mas estão preparadas para o que vier.

Zdenek Pracuch
11/02/13