HORAS EXTRAS
Existe um fenômeno nas indústrias de todos os ramos, chamado “horas extras”. Para quem nunca ouviu falar do fenômeno, trata-se de trabalho fora do horário convencional ou nos dias normalmente não trabalhados, como sábados ou feriados. É natural, que este trabalho tem uma remuneração diferenciada, mas deveria ser considerado uma exceção.
Infelizmente não é bem assim. Agora mesmo, em numerosas empresas estamos assistindo a um verdadeiro festival de horas extras. Qual é a causa? As causas podem ser várias mas todas elas começam por falta ou mau planejamento. Onde existe um planejamento a hora extra solicitada aos funcionários poderá existir, sim, mas em casos isolados, digamos falta de energia durante algumas horas, atraso causado pelo fornecedor de materiais ou dificuldades logísticas, mas devem ser casos raros, ocasionais. Fazer de horas extras um acontecimento corriqueiro demonstra falta de uma boa gestão, falta de um planejamento.
Sob o ponto de vista da gestão, além dos fatos acima mencionados, a falta do planejamento, ou seja, vender mais do que normalmente pode ser produzido é, praticamente, resposta a todas as situações causadoras do fenômeno. A comercialização do terceiro milênio, bem diferente do século passado exige um planejamento rigoroso, com estabelecimento de quotas para cada vendedor ou representante, que devam ser cobradas e cumpridas tanto em quantidades como nos prazos oferecidos para entregas.
Sob o ponto de vista dos funcionários, temos duas situações. Na primeira temos um grupo de funcionários que adoram horas extras, como uma boa fonte de renda extra e temos casos, principalmente dos funcionários que não trabalham nas esteiras transportadoras, que baixam o ritmo do trabalho e deste modo forçam as horas extras para cumprir as tarefas mesmo em condições normais.
Na segunda situação temos o caso de funcionários, que sentem horas extras como abuso e trabalham sob pressão nos horários estendidos. Caso principalmente de mulheres casadas, trabalhando aos sábados, dia que normalmente reservam à lavagem de roupas, da faxina de casa, às compras etc.. Ou no caso dos estudantes dos cursos noturnos, que ficam entre cruz e a espada: ou perdem aulas, ou tem problemas no emprego.
Sob o ponto de vista de comportamento funcional pode se dizer, que o funcionário, que trabalhou durante nove horas com dedicação total, quando se vê forçado a ficar mais uma ou duas horas, diariamente, as vezes durante semanas, acumula cansaço, que se reflete na produção mais baixa, mais descuidada, com mais erros. A produtividade dele baixa, porque já durante o dia, sabendo sobre o horário estendido, começa a se “poupar” para agüentar até o fim da jornada.
Sob o ponto de vista econômico, de rendimento e de lucratividade, é muito duvidosa a eficiencia dos horários sistematicamente prolongados. Em primeiro lugar, mão-de-obra custa mais e absenteísmo cresce, ou seja, custo maior. Maior despesa com produtos de segunda linha e perigo de devoluções por defeitos, da parte dos clientes, que de longe supera a economia de custos indiretos divididos sobre maior numero de unidades produzidas. Como a maioria de empresas não sabe como contabilizar estes custos extras separadamente das despesas habituais, poucos dirigentes obtém informações que os auxiliariam para uma gestão mais eficiente.
Sob o ponto de vista moral e humano é muito difícil avaliar o comportamento dos donos de empresas, que estão visando tão somente o lucro, justificando a sua posição com o argumento, de que só uma empresa lucrativa pode garantir a subsistência de todos que com ela colaboram usando horas extras para cumprir os compromissos assumidos. Argumento válido, desde que considerado, que as duas partes estão contribuindo de modo igual – uns com o trabalho e outra parte com a oferta deste trabalho.
Empresário moderno, consciente da sua responsabilidade social, não deve admitir que o funcionário dele se sente forçado a trabalhar além das forças, embora seja remunerado por isso, mas cansado e desmotivado. Não é a toa que hoje as universidades americanas têm uma cátedra de ética. Isto num país onde só se considerava o resultado, sem se importar de que modo foi conseguido. O esforço para obter o resultado continua o mesmo, a diferença é se é obtido dentro da ética. O egoísmo empresarial não está mais em uso.
Vamos apreender a planejar as nossas atividades? Vamos domar as nossas ambições? Vamos abandonar a filosofia de ganho a qualquer custo, aplicando ética às nossas ações e atividades? Este é o caminho para um sucesso duradouro no terceiro milênio.
Zdenek Pracuch