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SERÁ QUE O GOVERNO VAI AJUDAR? Há poucos dias tivemos, numa louvável iniciativa da Assembléia Legislativa de Minas Gerais, a audiência pública da Comissão Especial Contra Invasão dos Produtos Chineses. A audiência foi muito concorrida, o maior salão de eventos de Nova Serrana ficou lotado e a expectativa do empresariado era grande. A audiência pública não se restringiu aos prejuízos causados somente á indústria de calçados. Foram representados além dos calçadistas os ramos de confecções, brinquedos e fogos de artifício, os quais até agora foram os mais prejudicados pela concorrência predatória oriental. O fato é um só, menos ou mais, todos os ramos estão prejudicados. Os dados citados pela dra. Marta da Universidade de Belo Horizonte e responsável pelo Departamento de Relações Industriais da FIEMG eram impressionantes, assustadores. Não podemos concordar com a afirmação de um representante sindical, que falou sobre trabalho escravo na China e sobre os produtos abaixo de qualquer padrão de qualidade. Isto é folclore, fora da realidade. Os chineses não perderam tempo e aprenderam e aprendem, com a ajuda do Ocidente, a trabalhar cada vez com melhor qualidade. A IBM vendeu à divisão de lap-tops aos chineses e hoje os comercializa sob a marca Lenovo. Quem é capaz de produzir computadores de qualidade, com muito mais razão irá produzir calçados e confecções de boa qualidade. - A camisa que visto no momento de escrever esta coluna é de procedência chinesa e só o descobri quando dia destes, por curiosidade, li a etiqueta: Fabricado na China. – Não costumo comprar artigos de má qualidade. Quando, após franqueada a palavra ao público, uma pessoa presente perguntou ao ilustre deputado estadual Paulo César sobre o que podemos esperar da ação governamental, este respondeu com absoluta sinceridade, que mantém certas dúvidas sobre as providências governamentais em defesa dos ramos industriais ameaçados pela concorrência predatória e desleal porque: O vice-presidente da República que, com toda certeza, tem acesso às informações privilegiadas, está comprando uma grande indústria têxtil na China. Isto é, praticamente, um indicador que muito pouco ou nada vai mudar. Mas, mesmo assim, frisou que o trabalho da Comissão vai continuar, inclusive tentando sensibilizar a opinião pública e as Assembléias de outros Estados, não diretamente atingidos pelo problema, mas cujos reflexos, mais cedo ou mais tarde, serão sentidos por todos. É confortável saber, que o poder público, vendo ameaçada a arrecadação e com a ameaça real de desemprego em massa, já detectado e documentado principalmente no Sul, está preocupado com o assunto. A audiência pública foi esclarecedora e confirmou o que estamos alertando há muito tempo: a indústria de calçados está sériamente ameaçada. O problema está na falsa esperança, por parte dos empresários, que o governo vai tomar alguma providência em defesa dos ramos ameaçados. Esperança falsa, porque o governo atou as próprias mãos no momento em que declarou a economia chinesa “mercado de economia livre”, sem atentar ao fato do ridículo de semelhante proposta. Quando se mistura a ideologia de companheirismo socialista de esquerda da qual, os próprios chineses, mantém uma respeitável distância, com uma economia livre de mercado real, dá nisso em que estamos agora metidos até o queixo, sem saída. Aos empresários resta fazer o que o governo não pode e nem fará: estruturar as suas empresas no sentido de serem competitivas, nos segmentos do mercado que lhes restarão. - Estruturar como? Evitar desperdícios de tudo – de materiais, de insumos, de energia, de mão-de-obra, de tempo. Cada um destes pontos significa diferenciação contra a concorrência, tanto dos importados como dos produtos nacionais. Aí está a chance de sobrevivência para quem não vai perder mais tempo em lamentações inúteis ou esperar que o governo vai resolver a situação do mercado por decreto. Felizmente, nem tudo está perdido. Tenho entre os meus clientes várias indústrias que, com absoluta certeza vão sobreviver, porque já adotaram ou estão adotando o receituário acima descrito. Já descobriram que a demora, em tomar providências por conta própria, pode ser fatal. |
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