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O QUE OS CALÇADISTAS PODEM ESPERAR DO GOVERNO ? Existem ainda almas ingênuas no meio calçadista, que não querem abrir os olhos para a seriedade da situação do mercado de calçados, onde os calçadistas estão perdendo terreno tanto no campo doméstico como na exportação. A invasão do calçado barato (e de boa qualidade) é um fato incontestável. A perda dos mercados externos, a despeito de notícias sobre o sucesso da Feira X ou Y, não consegue desmentir as estatísticas sobre a exportação que está caindo inexoravelmente. A lamentável decisão do governo brasileiro de proclamar a China como “economia de mercado” e ainda agora, insistir na tese do “parceiro estratégico” é um exemplo aonde pode ser levada a economia tingida pelos aspectos ideológicos. Não cabe a mim analisar as decisões da estratégia política, mas qualquer pessoa com um pingo de bom senso não pode entender como ainda agora, o Brasil vai embarcar na utopia do gasoduto venezuelano, de um governo comandado por um lunático esquerdista, discípulo de Fidel, mesmo agora quando se passaram poucas semanas em que a Petrobrás começou a enfrentar outro populista, que por pouco não fechou a torneira com gás e com isso fecharia a metade da indústria paulista. Mas voltemos ao “parceiro estratégico” campeão da “economia de mercado”. A comentarista econômica Miriam Leitão, publicou no O Globo de 14.3.2006 uma matéria importante sobre como a China age e reage na defesa dos seus interesses econômicos. Trata-se de minério de ferro do qual Brasil é o maior produtor mundial. Depois de derrubar os preços de soja agora a China tenta derrubar o preço do minério de ferro. O Ministério de Comércio da China publicou um documento onde exige maior rigor na inspeção do minério, maior rigor na emissão de licenças de importação e não atendimento de nenhuma solicitação de aumento de preço do minério, principalmente se vier, diz textualmente, da “Companhia Vale do Rio Doce, Rio Tinto e BHP”. Estas três companhias respondem por 70 % da exportação mundial do minério. O governo da Austrália protestou. O governo brasileiro (leia-se: Marco Aurélio Garcia, assessor do Exmo. Senhor Presidente da República e pai da criança), preferiu ficar em silêncio, apesar do Brasil ser o maior produtor mundial. Qual é a lição que os calçadistas podem deduzir do episódio? Uma só conclusão: se depender do governo a defesa dos interesses da indústria de calçados, podem esquecer. Os industriais calçadistas estão sozinhos e a despeito das delegações recebidas em Brasília com pompa e circunstância, não vai acontecer rigorosamente nada! Como disse antes, onde se mistura ideologia com economia o resultado infelizmente é previsível. Algumas medidas inócuas serão, ou já foram tomadas, como um aumento simbólico do imposto de importação, promessa de financiamentos (sem especificar como serão pagos, se a crise não amainar) de equipamentos e capital de giro e nada mais. Os calçadistas estão órfãos de pai e mãe. O que está pela frente é uma briga de foice e salve-se quem puder. Cada um por si. O industrial tem que enxugar a sua empresa, não no sentido de demitir pessoas, mas faze-la mais produtiva, com menor ociosidade, racionalizar o processo produtivo mas, principalmente, procurar produzir artigos diferenciados, com originalidade tanto tecnológica como estilística, com o maior valor agregado possível. Racionalizar ou até criar (quantas empresas não o têm!) departamento de vendas, cumprir rigorosamente prazos de entrega (o que por sua vez implica na criação do planejamento de vendas, de compras e de produção), apreender a formular o preço de venda com métodos do terceiro milênio, enfim, há muita coisa a ser feita para ganhar a competição com os concorrentes de olhos puxados. Há muito trabalho a fazer para não ser vítima indefesa dos fatores sobre as quais os industriais não têm nenhum poder de decisão, mas que podem contornar e vencer com engenhosidade, criatividade e esforço concentrado. Há muito campo para isso. |
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