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A MÁ GESTÃO DAS EMPRESAS CALÇADISTAS. Hoje não existe a menor dúvida que a indústria de calçados está em crise. As opiniões sobre a profundidade e a duração desta crise podem divergir, mas o fato incontestável é, ela está entre nós. Foi uma morte anunciada. Veio mais depressa do que esperado, pela infeliz decisão do governo, de considerar a China mercado aberto. O que foi, foi. Agora só resta correr atrás do lucro, porque o prejuízo já está aqui. Como sempre, há males que vem para o bem. E este é um deles. Finalmente foi posta a nu a realidade sobre a má gestão das empresas calçadistas em geral. Voar em céu de brigadeiro, até o brigadeiro velho consegue. Mas voar sem instrumentos, com nenhuma visibilidade (ou melhor, previsibilidade) ninguém consegue e, geralmente, vira notícia no Jornal Nacional. Ninguém pode alegar, que foi pego de surpresa. Surpresa pode ter sido a rapidez com que a crise veio, mas num mundo globalizado, ligado pela internet e os celulares, até a rapidez já faz parte da vida moderna. – Avisos foram dados e muitos. Mas alguém se preparou? Mudou de rotinas, de procedimentos? Ninguém. – Tudo de acordo com o velho hábito de deixar estar para ver como fica. E como ficou! Em que está o bem gerado pela crise que chegou? Está na conscientização dos donos das empresas, que não basta possuir uma empresa. É necessário gerir. E nesta gestão que está o problema. Cadê a gestão eficaz? De repente estamos descobrindo, que o que funcionava até o ano passado não quer funcionar mais. Que os competidores são mais agressivos, que o mercado é mais exigente, que a produtividade é baixa, que os custos estão fora do controle e assim por diante. Até o ano passado era chamado pelas empresas, quase sempre, para ajudar na solução dos problemas de produção e de produtividade, de novas tecnologias e de economias no processo produtivo. Hoje gasto a totalidade do meu tempo nas empresas atendendo aos preceitos básicos de uma gestão eficaz, produtiva e lucrativa, que sintetizo em poucas palavras a seguir : Estruturação de vendas: com estabelecimento do planejamento, de metas, de entregas pontuais, controles de representantes (que representam mais os clientes que a própria empresa), de atendimento pós-venda e a estratégia de lançamento de novos produtos. Planejamento: que não seja a simples digitação de pedidos que são repassados para a produção que se vire!. Mas um planejamento de produção e de compras com base no planejamento de vendas, para facilitar a administração de materiais e, principalmente, para garantir a satisfação da clientela, com entregas pontuais. Cálculo de consumo e de custo: é incrível quantas barbaridades estão sendo cometidas contra o bom senso e a economia, quando entra a questão de consumo e de administração de materiais. Costumo perguntar aos donos das empresas se por acaso roubam cargas nas estradas, tal o descaso como tratam os materiais. – Também o estabelecimento do preço de venda, que ainda é feito pelo método do tempo das caravelas da Companhia das Índias. Como se já não estivéssemos em pleno terceiro milênio e todos os nossos concorrentes globais já não tivessem adotado métodos mais condizentes com o comércio atual. Planejamento financeiro: pouquíssimas são as fábricas que possuem um planejamento financeiro entre receitas e despesas, para avaliar a conveniência de investimentos ou financiamentos para, no mínimo, um semestre. A alegação usual é que o Brasil é muito instável e não tem como planejar. A resposta é, que um planejamento imperfeito é sempre melhor que nenhum. Acompanhamento do capital de giro: não é que não existe, mas é desconhecida a importância deste acompanhamento. A empresa está criando gorduras ou está ficando anêmica? Nem o fluxo de caixa, e nem a contabilidade podem dar esta resposta. O empresário que entendeu a importância deste acompanhamento foi Wilson S. de Mello, quando introduzi este método na década de sessenta na fábrica dele. Acredito, que este foi um dos fatores da extraordinária ascensão que a empresa dele verificou. Contabilidade de resultados: é o nome que o saudoso Peter Drucker deu á contabilidade, que sem se preocupar com o desempenho financeiro, avalia os resultados econômicos periodicamente, para facilitar a ação corretiva. Fico sem saber o que pensar, quando pergunto á um dono da empresa, como fechou o mês passado e recebo como resposta: não sei. Deste modo pode com certeza quebrar sem o saber ou até porque quebrou. Como disse acima, há males que vem para o bem. Se a crise veio para melhorar a gestão das empresas, pelo menos forneceu algo de positivo. Dentro da minha atividade sinto a mudança do enfoque que o pessoal está experimentando. Estão chegando a conclusão, que produzir é fácil. Que difícil é vender, manter clientes leais através de um serviço perfeito, preços convidativos e uma gestão eficiente de empresas enxutas e funcionais. O desafio não é pequeno, mas temos exemplos brilhantes de como vencê-lo. |
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