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GESTÃO DE EMPRESAS CALÇADISTAS Os problemas no setor da indústria calçadista estão se avolumando e está cada vez mais visível a diferença entre uma gestão criativa ou uma simples gestão, levada ao sabor das ondas, de modismos ou fatores conjunturais. Qualquer piloto com poucas horas de vôo, é capaz de pousar um avião num “céu de brigadeiro”. Mas poucos são os comandantes que conseguem colocar o avião na pista com visibilidade beirando zero, só com auxílio de instrumentos. – Vivemos agora na indústria de calçados uma situação parecida. Quantos comandantes estão realmente preparados, para enfrentar a situação adversa? Quantas empresas estão dirigidas pelas pessoas, que acham que entendem de tudo, desde a pesquisa de mercado, passando pela modelagem, anatomia de formas, tecnologia de produção, processos produtivos, organização de vendas, publicidade, mercado externo etc. etc. etc.? Externam opiniões, com validade final e, quem terá a coragem de discordar e pôr a cabeça em perigo? A indústria de calçados de hoje tornou-se muito complexa. É absolutamente impossível para uma pessoa ser capaz de sozinha comandar uma operação de tamanha complexidade. Pior de tudo é que um dirigente do tipo “deixa comigo!”, geralmente se cerca de auxiliares pouco capazes – por dois motivos. Não admite em torno dele alguém que possa saber mais que ele (por pouco que seja), ou porque os subordinados realmente capazes não suportam por muito tempo os desmandos do dirigente e procuram outro lugar onde os conhecimentos deles serão valorizados de acordo. Nunca é demais repetir as palavras do gênio de negócios, que se candidatou á Presidência dos Estados Unidos na eleição de 1992, mr. Ross Perrot. “Eu me considero um homem medíocre. Minha única capacidade era de sempre me cercar de homens mais capazes que eu!” Mr. Perrot criou uma empresa de processamento de dados EDS, que vendeu por 742 milhões de dólares, em dinheiro, no ano de 1984 para a General Motors, depois que recusou a associar-se com a própria GM. O fenômeno de desorientação que podemos notar entre os dirigentes calçadistas ao se defrontar com situações inéditas e cada vez mais difíceis é fácilmente explicável. Enquanto o dirigente competia com seus pares, iguais em todos os sentidos, tanto no preparo com no despreparo para a gestão, a situação estava normal. Mas esta posição mudou dramaticamente. Hoje, no mundo globalizado, estamos competindo com os mais capazes do mundo. Com as pessoas altamente capacitadas e contratadas a peso de ouro em quatro cantos do mundo. Não é só na área da indústria calçadista. Querem um exemplo? Segundo a revista VEJA, o ministério da Educação está trazendo especialistas em ensino, pasmem, da Venezuela e Cuba! Enquanto isso os chineses estão contratando professores de Harvard e Stanford. Façam suas apostas, senhores, quem sai ganhando nesta parada? Culpar o câmbio pela crise na indústria é simplório demais. A desvalorização do dólar afetou em muito a lucratividade das empresas. Mas – e as outras mazelas? Desperdícios em geral, processos produtivos obsoletos, falta de estrutura organizacional, onde informática que deveria simplificar as rotinas ajudou a inflar as administrações, cálculo de consumo e formação de preço de venda pelos métodos do século passado, tudo isso ajuda a olhar com olho mais do que crítico a gestão das nossas empresas. Vale a pena citar um americano anônimo que disse: Como quer estar aqui AMANHÃ, se trabalha HOJE com métodos de ONTEM? |
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