FUNCIONÁRIOS IMPRODUTIVOS

Atenção, não se trata de funcionários públicos! Também não se trata de funcionários que, apesar de constar da folha de pagamentos, não fazem nada de útil. Sob o aspecto da gestão de empresas e de máxima produtividade, classificamos como funcionários improdutivos todos aqueles cujo trabalho ou serviço não acrescenta nenhum valor direto ao produto.

Exemplo: uma passadora de cola é essencial ao fluxo de serviço e o produto de trabalho dela acrescenta valor direto ao produto. Já o trabalho de um almoxarife ou mecânico de manutenção, embora muito importantes ao bom andamento do trabalho, não acrescenta valor sobre o produto e, portanto, recebe a classificação, um pouco enganosa, de improdutivo.

No âmbito mundial, na indústria de calçados é aceito o porcentual de dez por cento de improdutivos (gerencia – [donos e diretores não entram nesta conta], recepcionista, quadro de vendedores, chefia de seções, motorista, faxineira, vigilante etc.) do número total de funcionários. No Brasil, devido a complexidade da legislação fiscal e trabalhista aceitamos até 12% dos chamados, injustamente, de improdutivos.

Foi uma coincidência, não sei, ou resultado da crise que se aproxima e, os gestores de empresas começam a se preocupar com custos fixos e racionalização de trabalhos, que duas empresas me chamaram, para ajudar a definir os fluxos de trabalho administrativo, no sentido de se ater ao essencial e livrar se do entulho, que por hábito ou acomodação está ocupando o “staff” administrativo com trabalhos dispensáveis.

Neste ponto, os que se preocupam com este problema, têm toda razão. Quando foram introduzidos computadores e o processamento de dados virou domínio de todos, houve profecia, dizendo, que haverá um grande desemprego entre os funcionários administrativos. Que nada! Os quadros administrativos cresceram ainda mais e foram acrescidos de nova categoria – pessoal da informática. O trabalho destas pessoas é visível pelas montanhas de relatórios gerados, que ninguém tem tempo de ler ou analisar. Mas estão aqui, para a hora de alguém se lembrar deles e tiver tempo de os ler.

Só para ilustrar o que representam os tais improdutivos posso mencionar os dados colhidos durante as “Radiografias”, que executo, de empresas. Num universo de mais de cem empresas analisadas, encontrei uma única, funcionando bem, com menos de 10 % de funcionários improdutivos. Trata-se de uma empresa que produz tênis vulcanizado tipo futsal em Nova Serrana. Geralmente encontro porcentagens entre 15 a 18% em Franca ou Nova Serrana, embora numa das duas que me chamaram para discutir o assunto, a porcentagem é de 22,54 %, ou seja, alguma coisa deve ser feita.

É óbvio, que cada caso é um caso. A sua empresa tem departamento SAC? O pesponto é terceirizado? A contabilidade ou depto. pessoal são terceirizados? Nestes casos os números e análise serão completamente diferentes. Mas nunca é demais questionar a racionalidade de normas e procedimentos internos e em todos os casos encontraremos muita coisa para ser corrigida e racionalizada.

Numa análise de regras e procedimentos numa empresa de calçados de segurança, há alguns anos atrás, verifiquei que o processamento de um único pedido, sem nenhuma discrepância, o qual o cronometrista acompanhou  passando de mão em mão, totalizou duas e horas e trinta e quatro minutos de processamento! Em outras palavras: precisávamos do trabalho de uma pessoa para processar quatro pedidos por dia!

Isto foi sem falar nos casos, onde havia alguma discrepância de prazos, preços ou condições de venda e onde ainda estavam envolvidas comunicações para esclarecer as dúvidas! – Quem vive o dia a dia das fábricas, sabe muito bem, que quando o chefe de produção pede mais uma pessoa para o chão da fábrica, na maior parte dos casos cria-se um escândalo, como se quisesse quebrar a empresa. Por seu turno, quando no escritório pedem mais um ajudante a pergunta  não é: Para que? mas – Você tem alguém em vista?

Dois critérios, esperemos, que com a pressão dos nossos irmãos de olhos puxados, em breve passarão ao passado e a mesma eficiência que é solicitada ao pessoal da produção será exigida do pessoal administrativo também. A grande dificuldade reside no fato, de  os donos das empresas têm todas as condições de discutir os aspectos técnicos da produção, mas tem verdadeira fobia dos números e papéis (e do monitor nem se fala).

A tarefa não é fácil em transformar os funcionários improdutivos em altamente produtivos. Mas com estabelecimento de regras, procedimentos e normas dentro da empresa, muita coisa pode ser conseguida para enfrentar a “marolinha”.

Zdenek Pracuch