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NÚMEROS FRIOS? – NEM TANTO. Há alguns dias, o industrial francano Élcio Jacometti, presidente da Abicalçados, citou alguns números interessantes e um pouco assustadores. Mas, como estamos sofrendo um bombardeio diário de números pela mídia falada, impressa e televisiva, o público está tão acostumado ouvir de milhões, bilhões e zilhões, que dificilmente alguém se dá ao trabalho de analisar, o quanto, na realidade representam estes números. Vejamos: Élcio Jacometti disse que até o momento o Brasil deixou de exportar no ano de 2006 23 milhões de pares de calçados e ao mesmo tempo aumentou a importação para 11 milhões de pares. (Há fontes que falam em 16 milhões de pares, mas fiquemos com a cifra de onze milhões, que já é muita coisa). O que representam estes vinte e três milhões de pares em termos de produção e de empregos? – Apresentemos um exemplo prático: uma indústria média de calçados ou tênis para homem produz em torno de 1.000 pares por dia. Como temos aproximadamente 220 dias úteis de trabalho por ano (descontando sábados, domingos, feriados e férias coletivas), podemos dizer que uma fábrica produz 220 mil pares por ano. Em outras palavras, a perda de exportação de 23 milhões de pares, representa a perda de produção de 104 fábricas de tamanho médio!!! É como se elas deixassem de existir. Se vamos acrescentar a esta perda ainda a perda do mercado interno para o calçado importado e, vamos falar só de onze milhões de pares, temos que acrescentar ás 104 fábricas acima citadas, mais 50 fábricas de porte médio. Num total de 154 fábricas. O cálculo pode prosseguir: cada fábrica destas garante emprego direto ou indireto (como p. ex. nos curtumes, cartonagens, transportadoras, ind. metalúrgica, têxtil, ind. de polímeros, de borracha etc.) de aproximadamente 160 pessoas. O cálculo é simples: 154 fábricas x 160 pessoas = 24.640 pessoas! Vinte e quatro mil pessoas que já perderam ou estão em vias de perder o emprego! O impacto não é sentido na sua totalidade, porque está distribuído pelo Brasil. Isto não é um cálculo utópico, baseado em fantasias. Os números foram fornecidos pelo presidente da Abicalçados, uma pessoa das mais autorizadas a falar sobre o assunto, aliado ao fato que sendo ele mesmo um industrial de calçados, conhece a realidade do setor muito melhor do que os teóricos ou ideólogos do Planalto. Da próxima vez quando o ilustre Presidente da República vai se vangloriar do superávit na balança comercial, nunca antes conseguido neste País, que haja no auditório um sapateiro para perguntar a custa de qual classe este superávit está sendo obtido e se além do minério, soja, carne, DO COURO e outros produtos básicos, não estamos também exportando os empregos para a China. O pior é, que não há retorno desta rota. É um caminho sem volta. Basta o(s) importador(es) chinês(es) fazer(em) cara feia para alguma medida de desagrado para ele(s), para o nosso governo jogar panos quentes, dizendo que se trata de um mal entendido. Alguém soube como terminou a novela dos navios carregados de soja, que foram mandados de volta por causa de uns grãos de soja geneticamente modificada, encontrada pelos fiscais chineses? E que se aproveitaram disso para cancelar compras feitas na alta da soja para renegociar por preços bem mais baixos? A companheirada do Planalto e do Itamarati deveria tomar uns cursos de negociações em nível internacional com os companheiros de olhos repuxados. Só que para a indústria têxtil, de confecções, de óculos, de móveis, de fogos de artifício e, infelizmente, para a indústria de calçados já será tarde demais. Não estou falando da indústria de calçados na sua totalidade. Haverá indústrias que sobreviverão com louvor e progredirão a despeito de todas as condições adversas criadas pela desgovernança e, incluam-se nisso os impostos escorchantes, leis trabalhistas obsoletas, política cambial discutível, etc. – Qual será o segredo da sobrevivência delas? Serão as indústrias que souberam adaptar-se ao terceiro milênio a partir das técnicas de gestão. Repito – técnicas de gestão! De que adianta fazer um calçado perfeito sob todos os aspectos, se a indústria é mal conduzida? Há necessidade de apontar exemplos? Franca inteira acompanha a agonia de um símbolo da indústria. - Qual é a fábrica que acompanha RESULTADOS do seu trabalho SEMANALMENTE, para que as ações corretivas sejam tomadas na hora, antes que seja tarde? - O acompanhamento de resultados é um só exemplo. Há pelo menos mais uma dezena. Pesquisa do mercado, originalidade nas coleções, maior valor agregado, racionalidade, combate aos desperdícios, qualidade indiscutível – tudo isso faz parte do receituário. Concordo – o remédio é amargo, mas a unica alternativa para a cura é a morte. A escolha é livre. |
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