O MAL ESTÁ FEITO. E AGORA ?

O mal está feito. A indústria de calçados está em crise e não há como ignorar este fato. Quanto mais tempo demorarmos a aceitar esta realidade, mais difícil será sanar a situação e preparar uma estratégia que funcione. A verdade é que a grande maioria das empresas não está preparada para enfrentar a ameaça representada pela invasão oriental, tanto nos mercados externos como no mercado interno.

Deveríamos adotar a tática da Marinha de Guerra Norte-americana quando há algum imprevisto ou dano: 1 - damage assesment e 2 - counteraction – ou seja: avaliação do dano e ação contra.

A avaliação do dano é fácil fazer: estamos perdendo mercados. Ambos – mercado exportador e mercado interno, em menor escala, mas em grau crescente e continuamente. Nada indica, que este panorama seja mudado.

As empresas devem mudar rapidamente para se adaptar às mudanças impostas sob pena de desaparecerem. Elas são pressionadas a melhorar os seus produtos e a lançar novos, adaptar-se às modificações de logística do mercado e a atender as demandas flutuantes. Tudo isso, na opinião de Alvin Toffler, o guru dos administradores americanos, que provavelmente ocupará o trono vago deixado por Peter Drucker, tudo isso impõe mudanças na mentalidade dos empresários. É muito mais fácil proceder as mudanças tecnológicas, do que transformar a cultura daqueles que acostumaram-se a trabalhar de certa maneira, em determinada estrutura e num determinado ritmo.

E agora deveriam mudar? – Este é o desafio que abala a acomodação de muita gente. Quantos de nós não nos damos conta das mudanças ocorridas em nossa vida particular, devido ao progresso tecnológico? Quem pensa ou sabe, que toda vez que aciona um caixa eletrônico no banco ou até na estrada, opera através de um satélite a centenas de quilômetros de altura no espaço? Quando praticamos o zapping e passamos de canal em canal na nossa TV, um outro satélite é acionado?

E da mesma maneira como os satélites, para nós invisíveis, influenciam as nossas vidas, quantos fatores, ocultos, influenciam os nossos negócios, as nossas empresas?

Quando perguntei no título acima “E agora?” esta pergunta foi formulada com vista no despreparo de muita gente para lidar com a nova realidade. O ritmo da transformação é ultra-rápido. A obsolescência do conhecimento adquiriu uma taxa fenomenal. – Em outras palavras: uma grande parte de decisões pessoais e empresarias baseia-se em conhecimentos que já são parcialmente, ou em grande parte, obsoletos.

Estas palavras, novamente do Alvin Toffler, são um alerta para todos aqueles que estão sendo atingidos pela crise e todos aqueles que procuram algum meio de escapar dela. – A tomada de decisões estará dificultada justamente por esta obsolescência de conhecimento ou até pela acomodação em uma situação tranquila até aqui usufruída.

Embora, basicamente, todas as indústrias de calçado sejam parecidas entre si, elas são muito diferentes e a escala varia de otimamente organizadas e estruturadas até aquelas onde reina completa anarquia.

Uma estrutura funcional não se cria da noite para o dia. Não que seja impossível de implantar. O que demora é o treinamento, ou até a própria escolha, de pessoas capazes de enfrentar os novos desafios. – Devido a resistência às mudanças que são vitais, não é difícil de profetizar, que nos próximos anos, e serão anos muito próximos, haverá uma taxa de mortalidade bem acentuada entre as empresas calçadistas.

Já assistimos a este filme várias vezes. O drama desta vez é, que estamos lutando contra fatores externos sobre os quais não temos nenhum controle, enquanto nas vezes anteriores estávamos enfrentando fatores internos sempre de algum modo, contornáveis. E esta diferença, se for negligenciada ou não levada a sério, será uma sentença de morte.

Zdenek Pracuch

P.S. - A sua empresa está preparada?
Avalie sua competitividade! - clique aqui.