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FARDAS CHINESAS Sob este despretensioso título o jornal O Comércio da Franca publicou na coluna do Giba Um a seguinte notícia: “O Exército fez cotação para comprar tecido camuflado para confeccionar os uniformes dos militares. Quem ganhou foi a Coteminas, empresa do vice-presidente José Alencar e ex-ministro da Defesa, hoje gerenciada por seu filho. Detalhe: a Coteminas não fabrica o tecido e importou tudo da China a preços mais baratos do que os demais fornecedores nacionais. De quebra a operação gerou impostos, e claro, garantiu emprego para os chineses”. O que mais precisa ser dito aos nossos Dons Quixotes, que fazem turismo para Brasília, para alertar as autoridades para a situação crítica criada a vários setores industriais, que trabalham com mão-de-obra intensiva. pela concorrência com os Chineses? Cujos preços de exportação são imbatíveis por vários motivos, e um dos principais é justamente a carga tributária muito diferente entre os dois países. O ridículo da situação está no fato, que o Exército não gera riquezas, e que todo o gasto com Forças Armadas é pago tão somente pelos impostos que todos nos pagamos e que agora vão para a China! – Se as mais altas autoridades, não se sensibilizam com esta situação, bem, aí realmente não tem solução. Não haverá câmbio favorável, não haverá empréstimos subsidiados ás indústrias (mas que acrescidos de juros terão que ser devolvidos), não haverá tarifas de importação para defender o nosso produto, que irão parar ou mudar esta corrente. Após o tecido para as fardas o que podemos esperar? A importação dos coturnos, do calçado esportivo para exercícios que, sabidamente, os chineses produzem mais barato e com qualidade igual ao calçado brasileiro. Sejamos realistas, como o foi o dono de grande cadeia de lojas que me disse textualmente: “Eu sirvo um público exigente, mas cada vez mais empobrecido. Não dirijo uma entidade filantrópica, nem assistencial. Compro o produto de boa qualidade, pelo preço mais baixo possível e com a entrega a mais rápida possível. Porque se eu não agir assim o meu concorrente o fará e, como vou ficar? – Não tenho como deixar de comprar os importados!” É uma lógica indiscutível. Não há o que argumentar. Falar em patriotismo? Falar em empregos perdidos para os orientais? Empregos perdidos naqueles confins de Jaú, de Nova Serrana, de Birigui, de Campo Bom, lugares sobre os quais a maioria dos compradores de calçados nunca ouviu falar? O nosso empresariado faria melhor, se no lugar de mandar caravanas para Brasília para chover no molhado, se conscientizasse, que estão sozinhos com Deus nesta luta inglória e olhassem mais para dentro das suas indústrias e melhorassem o aproveitamento de tudo: do tempo, de materiais, de mão-de-obra, seguindo o exemplo de orientais. Economias, economias e mais economias aliadas á guerra sem quartel aos desperdícios. Estamos assistindo a agonia de algumas fábricas, outrora de projeção, que não prestavam muita atenção ao fato, de que, no dizer do Rei dos Calçados, a nossa indústria é uma indústria pobre, onde não há espaço para desperdícios e ostentação. Uma boa medida é, antes de cada dispêndio, fazer um cálculo de quantos pares devem ser vendidos com lucro para pagar com este lucro e SÓ COM ELE o dispêndio pretendido! Mas como fazer isso, se muita gente nem sabe calcular o lucro! Ainda há, apesar de cada vez mais escasso, tempo de reagir, mas o tempo deve ser consumido com ação e não com discursos vazios e a vã esperança de que alguém vai agir por nós. Mas que o tempo seja bem aproveitado, porque dentro de poucos dias veremos os soldados do Exército Brasileiro marchar em uniformes feitos de tecido chinês, como primeiro passo para marchar com calçado chinês. |
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