EXPORTAÇÕES VÃO BEM - OBRIGADDO !


Mas atenção! Estamos falando de exportações de commodities, estamos falando de agro-business. Até os automóveis, quem diria, as madeiras, minérios e até pedras ornamentais estão vendendo bem. A GM sozinha irá exportar este ano mais que todas as fábricas de calçados juntas (O Estado 24.9.05).

E os calçados? Bem, aí a história é outra. Até o sisudo World Footwear na sua edição Setembro/Outubro já reparou que alguma coisa não está indo bem e sob o título Tempos difíceis para os exportadores brasileiros, alinha números nada confortáveis. Interessante é que até o volume de couros exportados diminuiu em 3% de Janeiro a Maio de 2005. A queda para os principais mercados foi significativa : Hong-Kong –39%, China –26%, USA –21%.

Este pode ser motivo porque o couro no mercado interno está baixando de preço, embora, tradicionalmente após a Francal sempre houve alta. Francal foi o que já sabemos. A decepção desta vez ficou para a Feira GDS em Düsseldorf na Alemanha, onde os exportadores brasileiros fizeram um agradável passeio, mas ficou nisso.

World Footwear alinha outros números: a exportação de calçados brasileiros no primeiro semestre de 2004 foi de 113 milhões e deste ano caiu para 103 milhões – uma queda de 9%.

Os números citados especificamente para Franca são ainda piores: Em Abril de 2004 Franca exportou 745.218 pares e em Abril deste ano 592.133 – uma queda de 20,54%. – São números que dão para pensar.

Será que é só a culpa do câmbio desfavorável ou é uma situação que evolui para uma mudança no comportamento dos importadores? Pelo que pude acompanhar nalgumas indústrias de projeção, o câmbio não é o fator principal, porque os pedidos estão chegando, porém .... Os pedidos que estão chegando são para os modelos de mão-de-obra muito intensiva e especializada, como costura manual ou acabamentos especiais. O preço, neste caso, desde que razoável ou justificável é fator secundário.

Acontece que o importador não tem, por enquanto, onde ir buscar este tipo do produto. Não se treinam costuradores de mocassin de uma hora para outra. Não se consegue uma mão-de-obra sofisticada para o acabamento do produto de alta categoria de um dia para outro. Enquanto houver esta vantagem sobre os nossos competidores, Franca exportará, mas infelizmente, a cada ano menos porque os nossos competidores estão se aperfeiçoando rapidamente.

Que não seja este o problema. Franca prosperou muitos anos, sem ter exportado um único pé de calçado. O problema é que, agora Franca terá que defender o seu mercado no Brasil. E a pergunta é – será que está preparada para tanto?

A minha resposta é – não. Não está preparada.

Só no caso da China, as importações (não só de calçados) crescem numa velocidade oito vezes maior do que a das exportações para China (Comércio da Franca 10.9.05). Calçados junto com confecções, têxteis, brinquedos e eletrônica simples são os principais alvos deste avanço.

As indústrias locais continuam desperdiçando materiais, insumos, mão-de-obra, operando com pouca eficiência, não sabendo calcular o consumo, trabalhar com um planejamento primitivo, formular o preço de venda fora da realidade do terceiro milênio e assim por diante. É realmente preocupante o descaso dos empresários locais, ou melhor, dos donos de fabricas, com as questões vitais e primárias da eficiência das empresas.

Enquanto o mercado aceita, ou enquanto não aparece uma concorrência mais agressiva, e isto é pura questão de tempo, tudo bem. Mas, e depois de a concorrência se materializar, o que vai acontecer? Haverá tempo de se adaptar, de se modernizar, de se organizar? Tenho muitas dúvidas.

Zdenek Pracuch