EXEMPLO A SEGUIR.

Temos o costume de imitar aquilo o que os outros fazem ou fizeram. É bom de vez em quando olhar em redor, verificar que os outros também enfrentam problemas e, que muitas vezes, já encontraram soluções que nós ainda estamos buscando à duras penas.

Não faz muito tempo, assistimos a apresentação pelos integrantes de uma missão para Europa, sobre a situação difícil em que se encontra a indústria italiana de calçados. De lá para cá a situação só tendeu a piorar. Por isso é com alguma surpresa, tomar-se conhecimento de como se defende a indústria alemã, da crise provocada pela invasão dos importados.

É um fato, que dos 200 milhões de pares produzidos pela indústria alemã de calçados a metade o foi nos países asiáticos como China, Vietnam, Índia e Indonésia e a outra metade na própria Europa, mormente nos países do antigo bloco socialista. Não obstante, na própria Alemanha ainda foram produzidos 30 milhões de pares e, comparando com o ano de 2004, foram perdidos somente 1,7% de empregos.

Isso demonstra que os produtores alemães conseguiram encontrar respostas para os problemas que se apresentaram e adaptando-se ás condições modificadas e mantiveram uma posição viável. – As companhias alemãs em geral, eram sempre bem organizadas e bem dirigidas. A reputação pelo conhecimento de planejamento a médio e longo prazo é bem merecida e isso é visível nos movimentos executados tanto pela indústria de calçados, como pela indústria de máquinas para calçados e de implementos.

A revitalização da marca Pfaff e a construção de uma nova e grande fábrica, dentro do território alemão é uma prova deste movimento. Fornecedores de insumos seguiram os industriais para os novos destinos e o resultado são parcerias sadias e lucrativas. A indústria de calçados alemã parece que bateu no fundo do poço e agora está se capacitando para sobreviver sob nova forma.

Em compensação, na Itália a situação permanece dramática. Os italianos no melhor estilo latino, nunca se preocuparam com planejamento e quando a crise veio, no melhor estilo de ópera, fizeram um drama. E o conseguiram fazer bem feito. Em 2005 fecharam 820 cortumes e produtoras de couro e 564 indústrias de calçados e de insumos. Foram perdidos 8.540 empregos. – Somando se o desastre de dois anos, vemos que foram fechadas quase 1.700 indústrias e perdidos 16.000 empregos. (Dados publicados pelo World Foot-wear.)

A Itália ainda possui uma força indiscutível no mundo do calçado pelo desenho único, com inovações e originalidade incomparável. Os italianos ainda produzem as melhores idéias em couro e desenho conceitual. – Mas a fraqueza deles reside no planejamento e organização. E disso vai se ressentir principalmente a indústria de máquinas para calçados que tinha no mercado interno a sua maior fonte de renda e de inspiração.

Quais são os ensinamentos que podemos extrair dos dois exemplos acima? Podemos ver, que diferentes paises reagem diferentemente ao mesmo desafio, com base na cultura e na historia de cada um deles. Alguns conseguiram prever as conseqüências do crescimento inevitável da China, e tentaram defender se da melhor maneira possível. Outros não o fizeram e agora estão se lamentando, perguntando o que fazer. Para muitos já é tarde demais.

Assistindo a isso, por enquanto, de camarote, resta a pergunta: o que podemos fazer nós? O planejamento nunca foi o ponto forte dos empresários brasileiros. Mas, infelizmente, desta vez, sem o planejamento, sem a pesquisa do mercado e sem uma gestão (do tipo alemão!) não haverá salvação.

Já apontei várias vezes os pontos cruciais que deveriam preocupar cada empresário receoso com o futuro da empresa dele. Não custa nada repetir mais uma vez e, quem sabe, alguém pode tirar proveito.

Consideração e metas básicas:

1 - Qualidade

2 - Preço convidativo (guerra aos desperdícios)

3 - Serviço (atendimento perfeito/entrega pontual)

Como corolário:

A - Originalidade,

B - Descobrir nichos do mercado,

C - Valor agregado,

D - Produzir menos e lucrar mais.

É uma senhora tarefa, sem duvida nenhuma. Não será fácil mudar a mentalidade acomodada. Mas este será o preço da sobrevivência. Funciona na Alemanha, porque não funcionaria aqui também?

Zdenek Pracuch