COMÉRCIO ELETRÔNICO

Ultimamente tenho dedicado muito do meu trabalho na orientação dos empresários sobre o comportamento na comercialização dos seus produtos no terceiro milênio. De alguma forma e, digo de uma forma positiva, estão começando a perceber que a forma de comercialização que adotavam com sucesso, até por alguns decênios, está deixando de funcionar.

Cadê pedidos? No momento atual, as circunstâncias não favorecem as grandes vendas. Na euforia pós-Natal após as vendas recordes, o varejo saiu para compras e agora os comerciantes olham para estoques excessivos, sentem frio na barriga, pensando de que maneira colocarão tudo isso na rua.

Não é isso que é preocupante. O que deve preocupar os donos de empresas, já que os empresários de fato, já se conscientizaram do problema, é adotar os novos métodos de comercialização, condizentes com os hábitos e mudanças ocorridas neste novo milênio. Como não me canso a repetir: temos que vender e não ser comprados. Agredir o mercado de todas as maneiras: pelo design, pela qualidade, pelo conforto, pelo serviço, pelo preço, não depreciando, mas valorizando nosso produto, pelos métodos atualizados das vendas.

E grande espaço está reservado no mercado para o comércio eletrônico. As estatísticas nos mostram como está crescendo número de computadores em poder das famílias, até já causando a preocupação dos pedagogos pelo número excessivo de horas que as pessoas, nominalmente os adolescentes passam na frente da telinha por dia.  Neste ponto, nada edificante, Brasil hoje é uma das nações campeãs do mundo.

Mas, a despeito disso, podemos tirar proveito desta nova mania nacional. Porque não oferecer o nosso produto pela Internet? Hoje existem 400 milhões de cartões de crédito ou débito circulando no Brasil. Bradesco alardeia que está presente em todos os municípios do Brasil. Existe uma grande população com bom poder aquisitivo vivendo em localidades, onde não há lojas mais sofisticadas e que nunca foram visitadas por nossos vendedores ou representantes – e nunca o serão, porque a possível comissão sobre a venda de poucos pares não cobrirá a despesa.

Já pensaram, no número de militares, de funcionários públicos, de policiais federais, de funcionários da FUNAI e outros tantos, os quais e mais ainda as mulheres e filhos deles, também querem andar na moda ou sentir se atraentes? E a primeira loja estar a centenas de quilômetros de distância? Para que temos SEDEX? Para que temos agências do Correio em tudo que é um aglomerado de casas?

Quando discuto isso com pessoal das vendas o argumento é sempre o mesmo: quem vai pagar o frete e o que vão dizer os lojistas, fiéis clientes de anos de tradição? Nenhum destes argumentos procede. Vamos derrubar o segundo para chegar ao primeiro. O que pode objetar o lojista de Sorocaba ou Londrina contra o nosso site, se estamos vendendo para um cliente de São Sebastião de Cucuias, que nunca pisou nem pisará na loja dele?

Mais ainda, ele remarca o preço da fábrica em 100 %. O preço do nosso comércio eletrônico é igual ao dele na loja. Se ele remarca 110 ou 120 % já não é problema nosso mas dele. Ou o nosso produto está tão bom, que ele sabe que é venda certa e se aproveita disso, ou é um mau gestor e tem que remarcar tanto para pagar a ineficiência dele. Problema é dele, não é nosso.

E quanto ao segundo argumento – o frete pelo Sedex – este também não procede. Se estou remarcando 100 %, será que não dá para pagar frete, que de qualquer modo já tem uma parcela incluída no custo do produto?

A confidencialidade do meu trabalho não me permite falar de números com que outras empresas já trabalham, satisfeitíssimas, com um mercado que cresce pela propaganda de boca em boca. Quem já experimentou e viu resultados, acredito, que nunca mais voltará para trás.

É natural, que montar um site interativo não é coisa para amadores. Há muitos segredos e pequenos truques envolvidos. Mas a vida nos ensina desconfiar de tudo o que parece fácil. Só, que neste caso, o aprendizado já foi custeado por outros pioneiros.

Zdenek Pracuch