MODELO DA GESTÃO EFICIENTE
No dia 1 de setembro faleceu em Toronto, Canadá, com 93 anos de idade o industrial Tomas Bata Jr., finalizando uma era dos grandes capitães da indústria. Em plena atividade, a despeito da idade avançada a morte o surpreendeu durante preparativos da viagem para Índia, onde se localiza hoje, a maior fábrica do grupo Bata.
A morte do Tóma, como foi tratado pelos auxiliares mais chegados, nos leva a uma série de reflexões com respeito a longevidade, nem tanto dos personagens, como das empresas que comandam. Tomas Bata já representou terceira geração da firma fundada pelo avô dele em 1894. Firma próspera, paradigma do setor, que atravessou incólume duas guerras mundiais, sobreviveu à nacionalização (eufemismo de roubo) da matriz na Tchecoslováquia pelo governo comunista, onde se produziam na época 220.000 pares por dia, transferiu a sede para o Canadá e prospera até hoje. A quarta geração e, devagarzinho, a quinta geração já estão participando da gestão do conglomerado.
Qual é o segredo desta longevidade bem sucedida? Bem, não se trata de nenhum segredo, porque o sistema Bata de gestão está sendo hoje ensinado na Universidade Tomas Bata em Zlín, na República Tcheca, ponto de encontro de estudiosos da gestão do mundo inteiro. Alguém disse há muito tempo atrás, que a gestão é sinônimo de bom senso – aplicado.
Simplificando bastante, poderíamos deduzir, que o sucesso do sistema e do grupo Bata pode ser explicado com base na estrita obediência aos seguintes princípios: planejamento, cobrança de resultados planejados, controles, constante renovação e profissionalização da direção.
Quantos destes princípios estão sendo aplicados na vida cotidiana de nossas empresas, mormente nas empresas calçadistas? Muito poucos ou nenhum? Vejamos – quem planeja? Como planeja? A intenção não é um planejamento hipotético! Planejamento são números baseados em outros números fornecidos pela pesquisa, projeções e pelo retrospecto de atuação. – E, se não há planejamento, como pode haver cobrança de resultados?
Controles é outro ponto fraco. Para controlar, temos que ter uma base firme dos gastos, de uso de toda espécie: do material, dinheiro, tempo, energia e assim por diante. Nossas indústrias de calçados são medalhistas de ouro em matéria de desperdícios. Competitividade começa aqui – ser mais econômico e produtivo que o meu competidor.
Renovação constante. Por que insistimos em produzir calçados usando métodos e mentalidade de 50 anos atrás? Por que insistimos comercializar o produto com os mesmos métodos de 50 ou mais anos atrás? Por que preparamos duas coleções por ano, como fazemos há 50 anos, desde os tempos em que Alcântara Machado fez a primeira Feira? Bata renova sempre sejam métodos ou tecnologias e, quando uma fábrica fica obsoleta ao ponto, de não justificar a renovação, a fábrica é simplesmente desativada.
Profissionalização da direção é mais um ponto fraco na gestão das empresas. Assistimos em Franca, nos últimos anos uma mortandade preocupante de empresas, outrora símbolos de solidez e de prosperidade. O que aconteceu? - Não venceram a transposição de geração e falharam na preparação de futuros dirigentes, confundindo certidão de nascimento com o diploma do ensino superior com pós-graduação ou doutorando em economia e administração ou estágios em indústrias que poderiam servir de modelo de gestão.
Em todos estes pontos Bata serve de exemplo a ser seguido. A família continua no comando do grupo, definindo estratégias e políticas de negócio, com base nas propostas e sugestões preparadas pelos profissionais de altíssimo gabarito. Mas uma vez definidas as metas, a execução destas cabe aos subordinados e a cobrança dos resultados já se torna rotineira e simples.
Nesta simplicidade está a visibilidade do negócio, a transparência das ações e de resultados daí decorrentes. O principal ponto está no fato, de que os que definem a política e a estratégia dos negócios, não ficam engolfados pelos assuntos rotineiros, que podem ser administrados por colaboradores menos qualificados.
Quem leu a coluna até este ponto, pode não ter percebido, mas nos parágrafos acima está contido todo o segredo de uma gestão eficaz. Praticada e provada pelas três gerações de sapateiros Bata: Antonin Bata (avô), Tomas Bata e Jan A. Bata (pai e tio) e Tomas Bata Jr. (filho). – Um modelo a seguir.
Zdenek Pracuch