DORMIR NO SERVIÇO!
Não faz tanto tempo assim em que os anúncios de procura de empregadas domésticas, infalivelmente traziam a frase “precisa dormir no serviço”. Foi, digamos, uma disfarçada modalidade de escravidão das secretárias domésticas, que ficavam, deste modo, à disposição das patroas 24 horas por dia.
Quem diria que agora, no comecinho do terceiro milênio surgirá um movimento, com argumentos irrespondíveis em prol de uma soneca no emprego. E quem propaga estas idéias são empresas de grande porte, que não podem ser acusadas de jogar dinheiro fora.
Não é nenhuma utopia. Com base nos estudos científicos, os pesquisadores da Universidade da Califórnia, em Berkeley afirmam que, as funções de aprendizagem e de memória melhoram em até 10 % nas pessoas, que tiveram um cochilo depois do almoço. Do mesmo modo descobriram que, os jovens que perderam uma noite de sono, tiveram diminuída em até 40% a capacidade de armazenar novas informações.
Segundo estudos, durante o sono o cérebro faz uma limpeza de coisas irrelevantes, “limpando” o ambiente do cérebro para facilitar o armazenamento de novas informações. O neurologista Sérgio Tufik, diretor do Instituto de Sono da Universidade Federal de São Paulo declarou à revista Veja que, “medidas como essa não só melhoram a capacidade cognitiva como são extremamente importantes para compensar a restrição ao sono, cada vez mais comum na vida moderna.”
A temperatura do corpo cai depois do almoço, no meio da tarde, semelhante ao que ocorre no meio da madrugada. Daí vem a sonolência depois do almoço. Quando os outros mamíferos se espreguiçam gostosamente e cochilam, os funcionários estão voltando para iniciar a segunda metade da jornada.
Porque será que as empresas globais como Google e, principalmente, a representativa da indústria e de comércio de calçados, a internacional Nike defendem a dormidinha depois do almoço? No Brasil não se tinha até 2009 notícia de nenhuma empresa que estivesse adotando este procedimento. A consultoria especializada em ambientes de trabalho, Great Place to Work, não tinha nenhuma experiência neste sentido para relatar sobre o Brasil.
Neste ano, já temos pelo menos dez empresas que propiciam ambientes para descanso, cada uma com seus colchonetes, pufes ou redes. Não é a toa. Estudo da NASA, a agência espacial americana, verificou que 26 minutos de repouso, em média, aumentam a produtividade em até um terço e a capacidade de atenção em até 54 %. O estudo foi feito em 1995 (!) e só agora está despertando atenção entre as empresas.
E o que dizer dos funcionários, que praticam jornada dupla, com trabalho e estudo a noite e passar ainda por uma extenuante viagem para trabalhar e voltar? A falta do sono embora mascarada pelo vigor de juventude é prejudicial ao desempenho tanto profissional como aos estudos..
A neurologista Andrea Bacelar vice-presidente da Sociedade Brasileira do Sono, em declarações à revista Veja destacou a importância de um cochilo proveitoso. Deve durar de 20 a 40 minutos. Pode parecer pouco mas o segredo está em cultivar o hábito. Leram? Dra. Andréa disse “hábito”. O cérebro quando acostumado à regularidade do repouso, tenta aproveitá-lo ao máximo.
O bom sono também requer ambiente com pouca luz e poucos ruídos. Uma música de fundo, repousante, orquestrada, facilita ainda mais o descanso e valoriza esta pausa do meio-dia. Mas, atenção, quem não está acostumado à regularidade do repouso após o almoço, e tira a soneca de vez em quando, pode prejudicar o sono de noite e pode demorar a dormir.
É interessante observar, que já temos em Franca uma empresa, que colocou vários pufs ao lado do refeitório, para ajudar àqueles que querem aproveitar o horário do almoço para um descanso maior e melhor. - Convenhamos, ver os operários sentados nas calçadas das fábricas, com suas marmitas na mão depõe contra e gestão de qualquer empresa.
Já ouvi de vários donos de empresa – mas eles querem fazer assim, não adianta oferecer coisa melhor para eles! - Será mesmo? O que foi tentado? Como foi tentado? É de se duvidar, que alguém a quem seja oferecida a possibilidade de melhora vai recusar o benefício. Devagarzinho, mas com firmeza está ganhando corpo a idéia de ver no elemento humano o ativo mais valioso de qualquer empresa. E os mesmos cuidados que estão sendo aplicados na manutenção de outros ativos, estão começando a ser aplicados também aos seres humanos que povoam as indústrias.
Vamos tirar proveito das últimas descobertas, dos estudos mais atualizados? Vamos criar ambientes, onde os nossos funcionários possam reabastecer as energias mentais e físicas gastas e “carregar” as baterias com novas forças e entusiasmo? O desafio está lançado.
Zdenek Pracuch
07/02/11