TEMPO É DINHEIRO.

Quantas vezes nós mesmos repetimos esta verdade, tão aparentemente óbvia. Mas, quantas vezes, nós mesmos estamos agindo na direção oposta, como se o tempo fosse um bem inesgotável.

Nos museus podemos ver antigos relógios de mesa, com inscrição em latim una ex his, o que em tradução livre podemos traduzir como – mais uma que se foi. E quantas horas se vão no decorrer de um dia do empresário?

Que o desperdício em todos os sentidos é endêmico na indústria de calçados, e em outras também, ninguém escapa, hoje é um fato reconhecido. Este desperdício abrange também o tempo, que também é um valor do ativo realizável.  Não se trata somente do tempo desperdiçado pelos operários na produção. Trata-se em boa parte do tempo desperdiçado pelos executivos. Tempo mal empregado, perdido com funções que subalternos podem resolver, ás vezes até melhor, tempo perdido com visitantes inoportunos, tempo perdido em atendimento de telefonemas supérfluos, situação que piorou com a introdução de celulares e assim por diante.

Desafio a quem quiser, para me mostrar um dirigente na indústria de calçados que possui uma agenda e, se a possui, se esta agenda é realmente ferramenta de trabalho e instrumento de administração de tempo.

O tempo de que um dirigente dispõe tem que ser aproveitado de uma maneira racional e eficaz. Tempo de um executivo deve ser usado para o acompanhamento da situação interna da empresa, em informações sintetizadas na área de vendas, de finanças, de compras, de produção e na orientação dos subordinados. Deve ser aproveitado para observar a situação fora da empresa para tentar definir o comportamento e a evolução do mercado, tecnológica e até cambial. O tempo deve ser aproveitado para traçar estratégias e definidas estas, elaborar as táticas para pô-las em funcionamento.

E tudo isso, ao mesmo tempo, quando se exige do empresário que seja condutor dos homens e motivador dos colaboradores e ainda ensinar pelo exemplo de responsabilidade, assiduidade e entusiasmo. – Não é pouca coisa. Quando levamos em conta, que o dia útil, de trabalho, contém as mesmas nove horas, como as de qualquer operário mais humilde na organização.

Aí é que a assertividade na administração do tempo ganha a sua real importância. Pode parecer um luxo ter uma secretária que vai receber e filtrar os telefonemas, que vai organizar a agenda e agendar os compromissos e servir de anteparo, para selecionar e até dificultar o acesso direto ao dirigente.

Esta função secretarial, desde que exercida por uma pessoa responsável e sintonizada com o dirigente tem um valor incontestável. Com o decorrer do tempo, a secretária saberá identificar aquilo o que deve ser trazido diretamente, na hora, ao seu superior, aquilo o que pode esperar e até aquilo, que deve ser descartado. A economia do tempo do empresário pode ser muito grande.

Controlará uma agenda com horários a serem cumpridos, com certo rigor. Por exemplo, quando um visitante estiver demorando, bater discretamente na porta e avisar ao chefe que já está atrasado para compromisso seguinte (mesmo que não seja verdade!).

O empresário deve marcar reuniões, regulares, para resolver assuntos rotineiros, por exemplo ás 8 da manhã, todos os dias, uma reunião de vinte minutos (mas são vinte minutos mesmo!) com encarregados, porque das 7 ás 8 estes já tiveram tempo de resolver os problemas do começo do trabalho e outra das 17 ás 17:20 (vinte minutos e nenhum mais!) para receber relatório do dia, com problemas que foram encontrados e de como foram solucionados.

Deste modo evita as interrupções durante o dia, a não ser nos casos de uma urgência real. Os tempos previstos e agendados serão cumpridos e, aquela sensação incômoda do fim do dia (trabalhei dia todo e, afinal, o que foi que eu fiz?) não se fará sentir.

O executivo deveria reservar um ou dois dias por semana, onde disporá de horário para representantes dos fornecedores e, avisar os clientes, que pretendem visitar a região sobre os dias e horários em que poderá atender, dedicando a eles toda a atenção que estes merecem.

Uma agenda bem organizada, pode tornar um dirigente medíocre em dirigente exemplar. Não é fácil. Porque? Porque exige DISCIPLINA. E esta palavra não goza de grande estima entre os “donos de empresa”. Infelizmente, eles que deveriam dar exemplo de comportamento, geralmente primam pela não obediência dos horários, dos compromissos, desperdiçando tempo deles e dos outros também.

Os tempos que estão chegando não serão fáceis para nenhum empresário. E quanto mais cedo nos conscientizarmos da necessidade de uma atuação eficaz, melhores chances de sobrevivência teremos. Lembrem-se, que daqui para frente não irão competir com o seu vizinho ou conterrâneo, mas que estaremos enfrentando a competição global.

Zdenek Pracuch