PRECISA-SE UMA BOLA DE CRISTAL !

Esta é uma época de ouro para todo tipo de previsões para o ano que temos pela frente. É uma pena que ninguém se dá o trabalho de, no fim do ano, conferir a exatidão das profecias de todo tipo de pitonisas que se aventuram a adivinhar o futuro.

Seria realmente divertido comparar o otimismo exagerado do começo do ano, com previsões de crescimento com PAC ou sem PAC, com superávit comercial que “nunca antes” foi visto neste País, indústria automobilística crescendo a razão de dois dígitos e puxando toda economia para frente, enfim, seria um ano nunca antes visto.

O acordar deste sonho é doloroso e a despeito do otimismo governamental, que a gente se pergunta: baseado em que? teremos pela frente um ano difícil, principalmente para aqueles, que se deixaram embalar pela doce ilusão que vivemos no melhor dos mundos.

Eram vários os sinais, que algum tipo de tempestade se aproxima. Até na coluna social do Higininho, que não precisava de se preocupar com este tipo de noticiário, foi publicada uma nota (clique aqui) importante em Julho (!) que poderia servir de alerta àqueles que já desconfiavam da extrema facilidade dos negócios, para observar melhor o andamento do capital giro, dos prazos de venda generosos, dos estoques avantajados etc..

Deu no que deu. Aqueles que fizeram o dever de casa e não se deixaram de empolgar, estão olhando com confiança para o futuro. Aqueles que descuidaram da gestão, os que não se prepararam em tempo, agora já sofrem ou sofrerão as conseqüências. Uma vez alguém perguntou como se justifica o salário de até cem mil dólares por ano para os comandantes dos Jumbos. A resposta foi, que podem ocorrer situações, onde o comandante em dez minutos justifica salário de dez anos.

A mesma situação acontece agora. Os anos da vida relativamente tranqüila dos nossos comandantes da indústria poderão ser pagos por meses de mau tempo que temos pela frente. Os bons, os bem preparados, atravessarão incólumes o mau tempo. Os demais terão que sofrer pousos forçados ou até desastres fatais.

O que deve ser feito? Em primeiro lugar, uma economia de guerra com o combate sem trégua a qualquer tipo de desperdício. Em segundo lugar, repensar os investimentos, o volume e a época. Em terceiro, acompanhar a evolução ou involução do capital de giro, principalmente através de compras racionais e racionadas com controle rigoroso de estoques e da mercadoria em giro na produção. Em quarto, agir agressivamente nas vendas, estabelecendo as metas e exigir o cumprimento. E em quinto e o mais importante, cercar se de elementos capazes, motivados e dinâmicos que sabem trabalhar em equipe e, quanto mais desafiados, mais rendimento apresentam.

O ideograma chinês para crise é composto de outros dois: risco e oportunidade. Não resta dúvida – toda crise oferece risco, mas também oferece oportunidade aos mais capazes de se sobressair da mediocridade, da acomodação e da obsolescência – os três males que tanto atormentam a indústria de calçados.

Zdenek Pracuch