COLAGEM NO PESPONTO ?

As indústrias com as quais colaboro, sabem muito bem, como estou combatendo a colagem no pesponto. Há indústrias onde temos mais trabalhadores na mesa colando, que nas máquinas de costura.

Isto é um anacronismo, que tem que acabar se a indústria quiser ser competitiva.

Procurando por um outro assunto, por acaso, folheando o livro do Hans Berty: Die Schäfteherstellung (Confecção de cabedais), que foi publicado, pasmem, em 1966, encontrei a seguinte passagem:

“Sob a denominação de colagem entendemos basicamente colagem de conjuntos de peças, peças sobrepostas ou de enfeites. Na minha opinião, hoje em dia nenhum técnico vai pensar em colar gáspeas, reforços de ilhós, couraças ou contrafortes. Até a colocação de forros se faz sem colar. Esta constatação não quer dizer que não há indústrias que acham que não podem trabalhar sem colar. Mas com esta posição se colocam contra o método moderno de trabalho, onde a colagem deve ser reduzida ao máximo. Exceção é colagem de reforços de forro ou de entretelas, quando não são auto-adesivos.”

Há certas premissas que devem ser cumpridas quando queremos abolir ao máximo o hábito de colar. Uma delas é uma marcação exata, que possibilite ás pespontadeiras uma perfeita junção de peças. Outra é um treinamento para apreender a costurar com base na marcação, onde no começo teremos uma certa perda de produtividade, mas que será largamente compensada pela economia de trabalho de colagem e da própria cola.

Falar em economia de limpeza é mais do que óbvio, pela vantagem que o trabalho mais limpo proporciona, e isto principalmente em materiais de limpeza difícil ou impossível, como no camurção, onde um pingo de cola inutiliza um cabedal pronto. A cola mal passada no interior do calçado, além de sujar os pés ou meias, num dia de calor fica pastosa e faz o calçado grudar no pé.

O mais interessante do assunto é que, já no ano de 1966, Hans Berty publicou a opinião já consolidada sobre a eliminação da cola no pesponto. Ou seja, os alemães, naquela época já viram que colar no pesponto não fazia sentido. Bem, quase quarenta anos de atraso ainda não foram suficientes para fazer a cabeça dos nossos “chefes” de pesponto, que teimam em transformar os pespontos em oficinas de colagem.

Quem sabe nos próximos quarenta anos ....

Zdenek Pracuch