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E POR QUE NÃO VENDER AOS CHINESES? Como dizem os americanos: querem primeiro a notícia boa ou ruim? Que seja a ruim a primeira – a gente se recupera depois. - Bem, tivemos as duas. A primeira a ruim foi sobre o fechamento definitivo das 20 fábricas do grupo Reichert no Rio Grande do Sul. As vinte fábricas atuavam na sua maioria nos municípios pequenos, para os quais o fechamento significa uma verdadeira catástrofe. Onde os 4.000 desempregados irão achar emprego? Podemos afirmar que era a morte anunciada, mas nem por isso deixa de ser menos dolorosa e a gente pode colocar-se com facilidade no lugar dos pais de família que com o emprego perdido também perderam o sustento. Num município onde a fábrica era a única fonte de renda, que parecia tão segura, onde será que acharão substituição? A notícia boa é que as havaianas brasileiras estão sendo vendidas nas lojas de grifes nas grandes cidades chinesas. E como na China tudo é grande, abundam cidades com três ou cinco milhões de habitantes, onde estão sendo construídos shoppings em estilo ocidental e os chineses, devagarzinho, estão apreendendo a comprar e gastar com moda e conforto. Estimativas dizem que hoje já, devido à crescente industrialização e a mudança da população do campo para as cidades, existe uma classe, que poderia ser equivalente à nossa classe média de uns 200 milhões de cidadãos. Classe média maior que toda a população brasileira e muitos entre eles achando a sandália havaiana incrementada o máximo! Onde estão os nossos marqueteiros? Não digo vender sandálias havaianas, mas o nosso calçado de couro onde estamos atingindo nível mundial de mão-de-obra especializada, principalmente quando se trata de costura manual. – Se alguém colocar aquela chapinha metálica “Made in Italy” no calçado costurado em Franca, ninguém irá estranhar. Talvez poderia estranhar o preço, por ser tão mais barato. É lógico, que não vamos infringir a lei e colocar Made in Italy sobre calçados Made in Franca. Mas – e agora vem o raciocínio: para um chinês da classe média tanto se dá se na chapinha terá Made in Brazil ou Made in Italy. Provávelmente nem saberá ler os caracteres da nossa escrita. Na procura de originalidade e dos artigos importados (os jovens de quarenta ou cinqüenta anos) ainda devem estar lembrados dos tempos quando balconista colocava dois artigos sobre o balcão e dizia “este aí é importado!” – a gente nem perguntava o preço e o levava sem olhar – os chineses de hoje vacinados contra os produtos locais, devem agir do mesmo modo. Na China de hoje o fascínio do “estrangeiro” é o mesmo. E os compradores têm dinheiro. O maior problema do governo chinês e fazer os chineses gastarem um pouco da poupança, para que a indústria possa crescer com base no mercado interno e não depender tão pesadamente das exportações. Os superávits comerciais estão começando incomodar e já, como Allan Greenspan, se fala em bolha chinesa, que poderá estourar a curto prazo. Dito isso, cabe a pergunta: que complexo de inferioridade é este, dos nossos empresários? Só se tem notícia dos empresários que viajam para China para procurar pechinchas. Alguém tem notícia de empresários que foram vender calçados aos chineses? Presto minha assistência para três fábricas em Franca, cujo artigo, com devidas adaptações para mercado diferente, estão perfeitos para serem oferecidos como opção mais barata ao calçado italiano de grifes famosas, mas nem tão famosas para o chinês comum. Vendendo criatividade, originalidade e mão-de-obra de aspecto artesanal, o câmbio mais baixo ou mais alto perde importância. Não vendemos calçados – vendemos obras de arte! Esta é a notícia boa, que merece não só uma reflexão profunda, mas merece uma ação resoluta e já! Da mesma maneira como há agente de vendas de produtos chineses entre nos, há os agentes de venda de produtos ocidentais entre os chineses. Se havaianas por sua originalidade vendem, porque um calçado original, com aspecto quase artesanal, com ótimo material e impecável mão-de-obra não venderia? - Se não for oferecido é óbvio que não venderá. É sempre assim, a melhor idéia, se não for acompanhada de ação, não vale nada.
Zdenek Pracuch |
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