|
|
|
|
|
|
|
|
![]() |
||||||
|
|
|
|||||
|
|
|
|||||
![]() |
![]() |
CÉLULAS OU ESTEIRAS - SERÁ DIFÍCIL DECIDIR? Freqüentemente me perguntam qual é a minha opinião com respeito ás esteiras para a montagem dos calçados. Minha opinião é bastante suspeita por dois motivos. Toda a base do meu aprendizado sobre os calçados deu-se nas fábricas e escolas das organizações Bata. E foi nas fábricas Bata que nasceram os primeiros transportadores para indústria de calçados. No começo da década dos vinte do século passado, Tomas Bata foi para Estados Unidos para trabalhar nas fábricas da Ford para ver como se procede a montagem dos automóveis, porque suspeitava que o mesmo princípio poderia ser aplicado na indústria de calçados. Viu, gostou, voltou e fez funcionar. As primeiras esteiras eram de fato carrosséis, tanto assim que até hoje na língua tcheca a palavra para esteira é equivalente ao círculo. Depois foram aperfeiçoadas até tomarem a forma atual. Segundo motivo da minha possível falta de objetividade é que, quando assistente do inesquecível Wilson Sábio de Mello – Saméllo, introduzi a primeira esteira em Franca em 1962 e acho que a primeira no Brasil. E de um bate-boca com meu (depois) grande amigo Delmo Poppi na frente do Wilson, quando o Delmo quis vender para Saméllo um trilho manual, nasceu a indústria de esteiras Poppi que vendeu mais de duas mil, segundo Delmo. Qual não foi a minha surpresa, quando visitei pela primeira vez Nova Serrana, vendo que pouquíssimas indústrias trabalhavam com esteiras. Depois descobri que era a atuação dos consultores gaúchos, fascinados pelas células, quanto mais apertadas, melhor, que convenciam os industrias sobre as vantagens de economia do espaço e da economia nas formas. Não resta menor dúvida. Nestes dois pontos tinham toda razão. Só que nenhum deles parou o suficiente para pensar sobre as vantagens das esteiras para melhor produtividade. Quem determina o ritmo de trabalho é a esteira e não a boa ou má vontade dos funcionários no começo das células. Uma esteira bem organizada e controlada cuida sozinha da produção. Basta regular a velocidade, não deixar passar carrinhos vazios e ter controle sobre a chave “liga-desliga”. Oferece melhor controle sobre a secagem da cola, que pode ser ajudada com ventiladores ou estufas. A esteira sozinha nos aponta onde o trabalho está “engarrafado”, ou seja, o funcionário não está dando conta do recado. O calçado está sendo tratado pé por pé, e não fica amontoado sobre as mesas, machucando ou sujando-se. Nas células o ritmo do trabalho é determinado pela atividade do ensacador, cujo ritmo pode variar em função do horário, em decorrência do calor do dia, ou até pelo cansaço acumulado. Nas células se torna difícil identificar os pontos de estrangulamento e o controle de produção é pouco confiável. Na maior parte dos casos, só se sabe o que foi produzido, no fim da jornada e aí já é tarde demais. O maior argumento contra as esteiras é que há operações, onde a força do trabalho é mal distribuída, que ás vezes bastaria meio-funcionário para fazer determinada operação. Argumento técnico procede. Mas se perde quando analisado pelo critério do custo. A produtividade regular de uma esteira anula com vantagem até três ou quatro meio-funcionários. Há tantos fatores a serem analisados que fazem de cada caso um caso especial, que merece uma apreciação individual. Dependendo do ponto de vista, os dois lados de defesa têm cada um a sua razão. A discussão sobre as vantagens ou desvantagens das esteiras nunca vai terminar. Lembra a fábula das raposas que discutiram o comprimento das caudas. A raposa de cauda longa defendia a dela, a raposa da cauda curta contava a vantagem de ter uma cauda curta e a raposa, que tinha perdido a cauda dela dizia: se vocês, bobinhas, soubessem como é bom não ter cauda nenhuma! Zdenek Pracuch |
![]() |
|||
|
|
|
|
||||
|
|
|
|||||