O CAMINHO PARA SUCESSO
A coluna de hoje irá fugir um pouco dos temas habituais. Não quero, nem tenho capacidade de invadir a área da psicologia, mas como ultimamente estou trabalhando tanto para a mudança dos hábitos, tentando tirar os empresários da suicida zona de conforto, quero compartilhar uma das mais novas descobertas sobre o comportamento humano.
A situação cada vez mais sombria da economia européia, redução do crescimento chinês, medidas pontuais do governo brasileiro, que não atacam os problemas básicos da infra-estrutura e de reformas necessárias, só atendendo ao lobby das montadoras, sem atentar ao crescente endividamento das famílias brasileiras, delineia uma situação pouco animadora para o futuro e que exigirá dos empresários muita calma, ponderação e frieza na hora de tomar decisões. A tranqüilidade do espírito será essencial nesta hora.
Ganhei de presente de um grande amigo o livro da autoria do Shawn Achor “The Happiness Advantage” (em tradução livre “A vantagem da felicidade”) Editora Crown, (muito obrigado senhor Ricardo!), - video com Shawn Achor, clique aqui, legendado em portugues - que está mudando em muito o modo de pensar e, conseqüentemente, de agir dos empresários estressados e desmotivados. A linha do pensamento do grande filósofo da atualidade Eckhart Tolle ganhou um complemento orientado para o mundo empresarial.
Qual é a linha básica do pensamento do Achor? Mudar a concepção de que a felicidade somente virá após atingir a meta, seja ela o que for. Uma promoção, casa própria, carro do ano, aumento da produção ou uma família coesa e feliz. Mas é exatamente o inverso! Temos que nos sentir felizes, contentes e realizados e o resultado dos nossos desejos virá como conseqüência, prega o Shawn Achor.
E baseia a sua teoria, que provou em várias ações práticas, uma das mais impressionantes realizada com os consultores da empresa global KPMG. São sete os princípios, que aplicados e praticados, podem fazer diferença na vida e no desempenho de qualquer pessoa e, por tabela, de qualquer empresa. Quais são eles?
O 1º - Sentir se feliz. Quando nosso pensamento e o ânimo são positivos somos mais espertos e motivados e assim sucedemos melhor. O que é a felicidade? A melhor definição: é o prazer em tentar alcançar o nosso pleno potencial.
O 2º - Definir um propósito que seja emprego, carreira, missão, riqueza – mas que seja bem definido e ancorado em nosso subconsciente, sem que seja a nossa preocupação básica em atingi-lo diretamente. Virá como conseqüência de felicidade no íntimo.
O 3º - Para isso temos que aprender a pensar em termos de felicidade, de gratidão e de otimismo. Não é fácil, não. Estamos cercados por um oceano de negativismo, muitas vezes até ampliado pelo nosso pessimismo.
O 4º - Cair subindo. Aprender com os fracassos. Não se deixar abater. Sempre, sempre há novas oportunidades As crises podem ser catalisadores para criatividade e inovação. Fazem-nos sair da zona de conforto.
O 5º - Conheça a si mesmo. Somos seres que acham que ensam racionalmente, mas que agem levados pelas emoções. Domine as ambições! Quer correr maratona? Comece com a corrida de um kilometro.
O 6º - Bom senso e boas idéias que não são seguidas de ações correspondentes, de nada valem. Como podemos explicar que os médicos fumam?
O 7º - Quando encontramos um desafio ou uma dificuldade não esperada, a única maneira de nos ajudar e nos salvar é confiar nas pessoas que nos cercam e podem oferecer o apoio. Sejam elas funcionários ou familiares. Fechar nos em nos mesmos é a pior coisa a fazer. Precisamos mais do que nunca de uma socialização afetiva e amiga.
São estes os sete princípios preconizados pelo Achor para atingir as nossas metas, sejam elas quais forem, mas não como uma meta que irá nos proporcionar a satisfação, felicidade e contentamento, como resultado de nossos esforços. Mas como resultado de nosso contentamento e felicidade a priori.
Não é fácil mudar os hábitos enraizados, mais ainda tratando se de hábitos da mente, que nos comanda sem nos apercebermos. Analisem o nosso comportamento depois de levantar da cama de manhã. Quantas coisas fazemos “no piloto automático” sem nos darmos conta disso! É essa obediência cega aos hábitos que não nos permite, muitas vezes, de ver saídas óbvias dos problemas que aparecem.
Um belo exercício de analisar as nossas ações e atitudes Achor está sugerindo: todos os dias - mas todos os dias mesmo! - escreva no fim do dia na sua agenda três boas ações que praticou durante o dia. Pode ser um sorriso de agradecimento à alguém, pode ser um elogio pelo trabalho bem feito, pode ser uma ajuda mais generosa do que de costume a alguém necessitado, até ter aberto a porta de banco para uma senhora idosa, enfim, uma boa ação. Nos primeiros dias pode ser difícil achar três boas ações. Mas com o passar dos dias, acostumando a procurar praticar boas ações, o resultado disso será maior paz de espírito, gratidão, contentamento e felicidade, que serão a partida para grandes realizações. Vale a pena experimentar.
Zdenek Pracuch
18/06/12