A ARTE DA GESTÃO

Já abordei este tema algumas vezes, mas a situação permanece sem modificação. Nossos gestores, donos de empresas, diretores, gerentes das fábricas, encarregados de qualquer departamento, todos estão sujeitos ao stress funcional, às decisões tomadas sob pressão e por isso discutíveis, enfim, praticando gestão cheia de falhas.

A melhor maneira de aprender uma gestão eficaz é ter trabalhado por um bom tempo numa empresa grande, hierarquicamente bem constituída, com manuais de procedimentos, re-treinamentos periódicos e obrigatórios, planejamento com determinação de metas a atingir e uma cobrança automática, porém rigorosa destas metas.

Não existe faculdade, por melhor que seja, que possa incutir estes procedimentos na mente dos seus pupilos. Só a prática ao mesmo tempo, que ensina, demonstra também o valor destes procedimentos para a vida da empresa.

Nossos jovens, e outros nem tão jovens assim, que nunca tiveram oportunidade de trabalhar numa organização assim, não sabem o quanto estão devendo em gestão eficiente aos seus atuais empregadores ou patrões. Em situação pior ainda se encontram os herdeiros orientados pelo pai para seguir rigorosamente as suas pegadas, porque “é assim que dá certo!” Tudo bem, é assim que dava certo, no século passado, mas já estamos dez anos no terceiro milênio num mundo globalizado, sacudido por crises econômicas e com mercados em evolução e mudança constante!

Não é fácil ouvir passivamente do dono de empresa, que me chama para discutir a problemática de cálculo de custo e de fixação do preço de venda, que “agora estou muito ocupado com Couromoda mas, por favor, reserve para mim uns dias no começo de fevereiro, para treinar o meu pessoal e introduzir o que Você está sugerindo!

Duas coisas a ponderar: primeiro – se alguma coisa não funciona bem com cálculo de custo e há dúvida sobre a fixação do preço de venda, as providências deviam ter sido tomadas ontem, mais ainda, na véspera de uma nova Couromoda! – E segundo: o que o dono ou dirigente da empresa tem a ver com os preparativos para exposição? Se fosse um dirigente que planeja as suas atividades, o preparo de uma Feira não deveria tomar mais de meia hora por dia, checando se as determinações dele foram executadas.

O problema da Feira é trabalho para o departamento de vendas para definir o que querem expor, do modelista para executar os modelos, da produção para produzir as amostras e ao dirigente cabe a última palavra sobre aprovação ou de modificações a serem introduzidas, mas tudo isso feito com calma, sem pressão, dentro do cronograma previamente planejado.

Fácil de descrever e ainda mais fácil de executar. Desde que haja um planejamento de atividades e a disciplina necessária para o por em prática. – Porque os generais comandam as batalhas a distância? Porque não ficam na linha do fogo? Não é por covardia, não é por medo de morrer. Simplesmente, quem está no meio do fogo não tem como avaliar a situação com suas nuances variáveis. Somente o distanciamento nos proporciona esta perspectiva de abranger com um olhar o quadro todo.

A mesma coisa se dá com uma empresa. Recomendo aos meus clientes até uma separação física, com barreira de uma secretária, para não ter o seu escritório invadido a qualquer hora, por qualquer pessoa trazendo assuntos banais e rotineiros. O telefone é um exemplo: qualquer pessoa que cisma em falar com o dirigente, a qualquer hora, o alcança  por telefone, sem pedir audiência, muitas das vezes no meio de uma reunião importante, quebrando o ritmo do trabalho, prejudicando a concentração – “... de que é que estávamos falando?

Estes pequenos, mas importantes detalhes fazem a diferença entre uma gestão eficaz e a outra que deixa muito a desejar. Muita gente peca neste sentido, porque nunca pensou que poderia agir diferentemente, por falta de exemplos ou de treinamento. Mas havendo  vontade, a correção é possível. E mais do que isso – é necessária.

Zdenek Pracuch