MUDOU ALGUMA COISA?
Toda a minha atividade gira em torno de couros e de calçados. Mas, na semana passada, vivi uma experiência diferente. Uma das companhias do grupo para que trabalho é uma trading de alimentos.
Acompanhei durante uma semana o comprador nas suas visitas pela indústria de alimentos. Experiência interessantíssima. Mais uma vez fiquei abismado pela potencialidade do Brasil. – Mas o que observei, desta vez com os olhos de um visitante estrangeiro, foi a maneira como as diferentes empresas recebem as visitas. Algumas são realmente modelares. Atendimento atencioso, cordial, rápido e eficiente. Estas sabem criar um ambiente descontraído e agradável, onde a conversa sobre os negócios flui desde o início sob o signo de sucesso.
Algumas, porém, dão a impressão de que o visitante é um intruso que veio trazer problema para uma rotina cômoda. Passam se longos minutos até que a recepcionista termine sua conversa telefônica com a sua amiga sobre o último domingo passado em Santos, e o visitante aguarda pacientemente em pé. Para logo depois ser informado, que o senhor José ainda não chegou, embora a visita tenha sido marcada e confirmada por antecipação. “Mas não vai demorar!”
Depois da meia hora a recepcionista sugere que o senhor José pode atender. A irritação do visitante só aumenta quando descobre que o Sr. João foi encarregado pelo senhor José de nos atender e que estava esperando a nossa visita há meia hora.
E o atendimento telefônico? Não fique convencido, que na sua empresa ele seja assim tão perfeito. A telefonista conhece a sua voz. Você sempre terá o tratamento ”VIP”. Mas peça a um amigo seu, fazer um interurbano para a sua empresa e contar os minutos que passam desde o instante que a telefonista, depois de atender diz “um minuto” sem lhe dar chance de dizer que fala interurbano, e o tempo em que efetivamente vai lhe atender.
E o que dizer das telefonistas que falam mais baixo que os locutores da rádio Eldorado, e os aparelhos que em nada ajudam para uma compreensão melhor? Não esqueça que a primeira impressão é a que permanece e o contato telefônico geralmente é a primeira impressão.
Esqueça por um momento as duplicatas, os impostos, a folha de pagamento e procure ver a sua empresa com os olhos de um estranho. E não pense que o tamanho da sua empresa possa ser o seguro contra as panes.
Um chefe de exportação da CICA-Trade marcou conosco dois encontros e não compareceu em nenhum. Adivinhe como será recebida uma oferta da CICA no futuro?
Faço votos que o seu pessoal trabalhe e atenda melhor!
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Este artigo foi escrito e publicado pelo jornal “Exclusivo” em 18.06.1978, ou seja, há 34 anos atrás. Sejamos realistas, mudou alguma coisa? E, por falar nisso, alguém ainda lembra da CICA?
Zdenek Pracuch
06/08/12